quinta-feira, 26 de abril de 2012

Em tão pouco tempo se entra na história de uma era


Gosto de desporto, gosto de futebol, gosto de quem se destaca pela positiva no mundo do futebol. Curiosamente, não gosto de escrever sobre futebol, prefiro falar. A velocidade dos dedos não consegue acompanhar a velocidade do pensamento e perco o raciocínio, busco pelas palavras mais acertadas mas elas tendem em fugir e por vezes esbarram em pormenores ortográficos. Quando falo isso não acontece e as ideias fluem naturalmente com a rapidez de um cão de corrida atrás de um coelho robótico. Contudo, para vocês, prezados leitores, vou abrir uma excepção e falar de futebol, quer dizer, vou falar de pessoas cujas vidas são escritas ao pontapé e que rolam nos verdes campos uma ou duas vezes por semana.

O mundo é feito de coincidências, de curiosidades, toda a gente tende a associar algo a alguma coisa ou alguma coisa a algo. É impossível pensar na noite sem pensar na lua ou nas estrelas, ou pensar no verão sem pensar na praia, ou pensar no Marlon Brando sem pensar no The Godfather, ou pensar nos políticos portugueses sem vir ao pensamento uma mão cheia de palavras feias. Como tal, na minha cabeça vejo dois indivíduos do futebol com uma história que se cruza em campos separados mas em percursos estupidamente parecidos. O que têm, afinal, em comum Roberto Di Matteo e Ricardo Sá Pinto? O primeiro tem 41 anos é italiano treina o Chelsea e o segundo tem 39 é português e treina o Sporting. Deixando de parte o facto de o nome próprio de ambos começar por “R”, o que seria a pior comparação de sempre, e o facto de ambos terem sido internacionais pelos seus países, vamos recuar até Fevereiro. Período conturbado tanto em Lisboa como em Londres, terminada a fase de grupos das competições europeias, Chelsea na Liga dos Campeões e Sporting na Liga Europa, com o apuramento para a fase a eliminar mas péssimos resultados nas competições nacionais e mal estar no seio do grupo. Sá Pinto foi o primeiro a assumir o comando técnico. Vindo dos juniores, sem grande experiência como treinador mas com grande historial no emblema leonino, trouxe um discurso cuidado (fruto da sua licenciatura em Comunicação, não me recordo a vertente), e sem grandes promessas. Di Matteo chegou quase três semanas depois, subiu de adjunto a treinador principal, também sem experiência enquanto treinador mas muito respeito pelos blues, onde jogou seis épocas, com um discurso calmo e sem grandes promessas.













Caladinhos e sem entrar em aventuras, estes homens experientes e muito respeitados pelos jogadores e adeptos estão perto de fazer história. O Chelsea está na final da Liga dos Campeões e o Sporting está a menos de 90 minutos da final da Liga Europa (como português espero que mostrem aos espanhóis quem manda!). Nenhuma das equipas está a jogar um futebol espectáculo de encher o olho, continuam longe dos lugares desejados nos respectivos campeonatos. Porém, existem melhorias notórias que deixam qualquer adepto satisfeito: garra e atitude, principalmente. Vieram substituir treinadores que muito prometeram e pouco fizeram e, com os mesmos jogadores, devolveram aos adeptos o prazer de vencer. Se muitos nomes vão ficar na história da época 2011/2012, estes dois não merecem ser esquecidos.

MF

terça-feira, 24 de abril de 2012

"Estar vivo é o contrário de estar morto"


Por MF

“Estar vivo é o contrário de estar morto”, disse Lili Caneças, e eu acrescento, “e vice-versa”! Para ficarmos entendidos! Lili Caneças... há quem goste, há quem não goste, há quem respeite, há quem inveje, pois a mim, passa-me ao lado. Se ela me vir na rua, duvido que me conheça, e vice-versa. No entanto, o meu objectivo neste comentário vai muito para lá de tal pessoa, prendo-me ao que ela disse, ao sentido das suas palavras, à realidade gritante de tão sólida e dura afirmação. Tanta gente se riu de tal argumento mas haverá algo mais válido que isto? É que, a meu entender, estar vivo é, efectivamente, o contrário de estar morto (e vice-versa, não vá o Diabo tecê-las). Excepto na televisão por cabo mas aí nada é o que parece, e vice-versa.

Hoje lembrei-me da, talvez, mais famosa frase proferida por esse ícone do Jet Quatr português e comecei a pensar (algo que tenho a bondade de fazer cerca de duas vezes por semana, para não esquecer de como se processa tal acção) no sentido da vida. E na minha cabeça um turbilhão de ideias e pensamentos. Ditos famosos daqueles que vemos no mural dos nossos amigos que nunca leram um livro mas que encontram na internet e colocam nas redes sociais para impressionar as raparigas. Reis e imperadores que conquistaram tudo o que queriam, cientistas à descoberta de um futuro melhor, filósofos que dedicaram a vida a tentar perceber o que era isso de felicidade eterna. Como seria de esperar, não cheguei a nenhuma conclusão, até porque ia na carreira e o motorista acordou-me do meu sonho acordado com aquela simpatia matinal, “Já chegamos ao fim da viagem”, que eu entendi como “Puto, desaparece da minha vista que ainda tenho 15 minutos para dormitar antes de me fazer novamente à estrada”.


Mal cheguei a casa meti a rodar um disco dos Gipsy Kings, muito calmo e agradável de ouvir, e, sentado no sofá com o meu cachimbo imaginário e um copo de whisky também imaginário, com gelo, debrucei-me sobre a vida, sobre o que é a vida, sobre o sentido da vida. Viver é vaguear por este mundo atrás da felicidade. Viver é respirar. Viver é acordar todos os dias com um propósito. Viver é ter objectivos a alcançar. Viver é tudo e, se a vida não for vivida, pode ser nada. Viver é lutar todos os dias para ser feliz. E, atravessado por esses sentimentos, fui aquecer o jantar, aproveitei para lavar a loiça e meti a rodar a segunda temporada de A Guerra dos Tronos. Amanhã logo vivo, hoje não me apetece, contudo, pela lógica infalível de Lili Caneças, e partindo do pressuposto que não estou morto, irei adormecer com a certeza de estar vivo.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Ganhar é viciante

Há algum tempo que me dedico às artes obscuras que roçam a ilegalidade. Não por culpa minha, a culpa é inteiramente da Universidade! Sim, a Universidade, aquela pela qual paguei e me atirou para o desemprego (de onde entretanto já fui resgatado), me atirou para o poker e para as apostas online! Eu era um bom rapaz quando entrei para esse antro de más influências e saí de lá viciado nesses "jogos de azar". Mas hoje, agradeço à Universidade por me ter atirado para esse mundo, "ganhei" 18 euros em menos de uma semana!

Por instantes pode parecer parva a minha felicidade momentânea, contudo, para mim (que ainda sou o principal visado nesta história e o sujeito que na realidade ganhou), estes 18 euros significam muito mais que 180 cêntimos. Há uma semana tinha 13 euros na conta e hoje, meus amigos, tenho 31! E só lá meti 20, pelo que 11 já são de lucro. Assim até gosto de matemática e de economia, a isto chama-se lucro, sucesso, luxo! São 11 euros (que até posso vir a perder numa aposta futura) que dizem claramente: "este rapaz percebe disto e fez um brilharete em adivinhar resultados". Fazendo jus à minha nova (velha) paixão, a matemática, daqui a um ano terei mais de meio milhão de cêntimos na minha conta! A riqueza espera-me, nunca mais vou trabalhar na vida. Salvo seja, pois segundo aquilo que me venderam como um ditado budista, "Descobre algo que gostas de fazer e nunca mais trabalharás na vida". É isso que eu quero, uma casa, com sala de jogos, com uma biblioteca, com um estúdio, com uma piscina, com um relvado, com uma garagem, com um Audi na garagem, com um descapotável ao lado do Audi, com um Fiat Seicento ao lado do descapotável para a esposa conduzir, uma loira escultural. Pois, meus amigos, invejem-me pois eu, vou ter isso tudo graças a estas apostas online! Até consigo prever o futuro, nem preciso de me esforçar para ganhar dinheiro, basta um clique, um suave deslizar pelo rato, um bocejar atirado ao ecrã e assisto ao vivo ao milagre da multiplicação.

No entanto, não me considero viciado no jogo. Sinto, somente, que estou a ficar viciado no prazer de ganhar. Sempre gostei disso, ganhar, vencer, triunfar, ser o melhor, chegar primeiro, subir ao topo mais alto. Nunca encaro um desafio sem a vontade de querer a vitória. Participar é bonito, oiço desde pequenino, e desde pequenino que respondo tortamente a quem me tenta incutir fair-play ou "desportivismo". Isso é para os derrotados! 

Já dizia o MF (versão gaiato) e com ele me despeço, radiante por saber que em breve serei rico:
- Participar é bonito... mas ganhar é muito mais bonito e quanto mais difícil a vitória, melhor sabe.
- Tenho mau perder? É sinal que quero sempre ganhar. Nunca me hei-de habituar a perder.
- A diferença no "foi por pouco" reside nos objectivos definidos. "Queria ganhar mas... foi por pouco" é diferente de "queria ficar a meio da tabela mas... foi por pouco".

MF

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Os benefícios da nova legislação sobre o subsídio de desemprego


Vamos no quarto mês do ano de 2012. Alguns já fizeram tanta ginástica ao orçamento mensal que são autênticos artistas de circo - agruras desta situação económica em que Portugal vive. 
São muitas as notícias desagradáveis e, muitas vezes, obsoletas, que nos pensam pelos olhos durante o dia. Nos últimos algo de mais satisfatório foi apresentado pelos meios de comunicação nacionais, de que intitularam "Alterações nos subsídios de desemprego".
Conta-se que haverão mudanças positivas no subsídio social de que tantos portugueses sobrevivem. Positivas, sublinhe-se. 

Assim sendo, haverá uma majoração para desempregados com filhos, isto é, os casais com filhos cujo rendimento é o subsídio de desemprego ou famílias monoparentais terão direito a um aumento do valor do subsídio. E esta é a medida que considero, decerto, mais justa, pois são muitos os casais portugueses que se encontram desempregados e com filhos a seu cargo e em relativo número são as famílias monoparentais, que subsistindo com um vencimento e sendo este o subsídio de desemprego, se vêem cada vez mais desprotegidas.
Um casal com filhos pode ser afectado pelo desemprego e passar a enfrentar muitas dificuldades, mas imagine um pai sozinho ou uma mãe sozinha com o mesmo número de filhos que esse casal, cuja única fonte básica de rendimento é o subsídio de desemprego.
Esta alteração já entrou em vigor, em 1 de Abril de 2012.

"A possibilidade de acumular o subsídio de desemprego com o rendimento de trabalho" esta é outra das alterações apresentadas pelo Governo. Esta alínea é mais elaborada do que se mostra, sendo que haverá legislação posterior sobre a mesma. Não me desdobro sobre tal, penso que serão impostos alguns obstáculos que, mais tarde, provarão a viabilidade desta alínea.

Continuando: "Os atuais desempregados e trabalhadores no ativo "mantêm os seus direitos" de acesso ao subsídio de desemprego, apesar da aprovação de novas regras. O ministro da Solidariedade e da Segurança Social acrescentou, como exemplo, que "se um trabalhador de 40 anos tiver neste momento direito a 24 meses de subsídio de desemprego, com a aprovação das novas regras vai manter esses mesmos 24 meses, não vai é ver os seus direitos a crescerem nos termos da anterior lei". Assim sendo, uma fatia de desempregados irá manter o seu direito ao subsídio de desemprego durante 24 meses. É justo, pois caso tal não se aplicasse, quem iniciou a sua situação de desempregado albergado pela legislação anterior iria ser prejudicado pela nova legislação e só teria direito a 18 meses.

Sem esquecer: "O Decreto-Lei n.º 65/2012 do Ministério da Solidariedade e da Segurança Social hoje publicado em Diário da República veio estabelecer o regime jurídico de proteção social na eventualidade de desemprego dos trabalhadores que se encontrem enquadrados no regime dos trabalhadores independentes e que prestam serviços maioritariamente a uma entidade contratante. As alterações hoje publicadas começarão a produzir efeitos a partir de 1 de julho de 2012.", isto significa que trabalhadores a recibos verdes poderão passar a receber o subsídio de desemprego, caso estejam de acordo com o regulamento estipulado. Em http://economiafinancas.com/2012/03/decreto-lei-n-o-652012-novo-regime-de-protecao-de-alguns-trabalhadores-independentes-em-caso-de-desemprego/ é possível esclarecer qual o preâmbulo em que esta alínea foi colocada e verificar se tem as condições necessárias para passar a receber este subsídio, como trabalhador independente.
Acredito que um considerável grupo de portugueses terá "celebrado" ao saber desta notícia. A verdade é que os trabalhadores a recibos verdes são cada vez mais e, cada vez mais, têm menos direitos. O facto de ser elaborado uma alínea desta conformidade sobre o subsídio de desemprego leva-me a dizer que há sentido de humanidade afinal, apesar de todos os pontos que esta alínea tem e que ainda não fará muitos satisfeitos.


As alterações são mais alargadas. Em análise estão somente as que considero mais relevantes e mais urgentes. É necessário que se divulgue e que se conheça estas novas alterações, para que toda a população conheça os seus direitos em relação ao subsídio de desemprego.
É necessário criar, cada vez mais, uma sociedade que integre os mais desfavorecidos, os grupos que agora têm dificuldades económicas, os jovens saídos da universidade. É necessário que se não se perca o espírito de iniciativa, a motivação para trabalhar, mas também que se lute para sobreviver com os recursos disponíveis.

FM

terça-feira, 3 de abril de 2012

Em Lisboa não há disso

Resido em Lisboa, a maior cidade deste país, grandes edifícios, grandes estradas, montes de alcatrão e mais montes de betão rodeados de montes de calçada. Para quem nasceu no meio do campo, como eu, não há vista mais feia que uma grande cidade. Independentemente das várias vantagens e ofertas da cidade, em termos de vista e satisfação - feliz de quem vive no meio do mato!


Orgulhoso de onde nasci. Como gosto do campo, da natureza, das árvores, do piar dos pardais, do barulho da água da ribeira a correr em direcção ao oceano, do ladrar dos cães na vizinhança em noite de lua cheia. E quando um barulho mecânico quer irromper na calmaria do vazio, faz-se uma festa, vem aí a carreira das 10h30 para levar a população à praça do peixe e à casa do povo para levantar a reforma. Os autocarros nunca lá passam, isso é artimanha citadina. Só aqui passa um expresso, uma ou duas vezes por dia e demora uma eternidade a chegar a essa tal cidade grande que apelidam de Lisboa. Lá ainda se joga à batota num barracão à sombra, ainda se vende peixe pescado no mar longe dos viveiros, ainda se oferece uma saca de maçãs quando um vizinho ajuda na lavoura, ainda é possível trocar uma saca de batatas por uma charrua - longe da vista dos mais novos, a malta jovem só quer saber do papel, e se tiverem fome, comem papel? Lá toda a gente se conhece, todos se cumprimentam na rua e o banqueiro vai ao mesmo café que o sucateiro sem vergonha de lhe apertar a mão e relembrar as tardes em que fugiam da atenção dos avôs para ir atirar pedras aos sapos e correr à volta da barragem ou das tardes em que insistiam em pegar no sacho para ajudar os velhotes a cavar uma leira para plantar batatas e cujo resultado era um banho na ribeira. Em Lisboa não há disso!



O meu castelo está todo partido, de certeza que a autarquia gostava de o restaurar e pôr todo bonito e pimpão para turista ver mas não há fundos e o governo atrasa-se a pagar o que deve. Porém, continuo a adorar aquele castelo que se impõe no alto da colina, de onde os portugueses expulsaram os mouros numa das mais bonitas estratégias militares que já ouvi. Hoje em dia há videojogos cheios de tácticas e filmes medievais com batalhas fantásticas. Pobres coitados, não conhecem uma história a sério, a forma magnífica como os soldados de D. Sancho II subiram a colina camuflados no meio da vegetação apanhando o inimigo desprevenido. "As moitas estão a mexer-se, avó", ainda avisou uma menina mas ninguém ligou e o castelo caiu nessa noite às mãos dos bravos lusitanos. Disto não há na televisão!


Eu próprio, penso na minha terra e tenho vergonha de estar em Lisboa. Sou vítima daquilo que critico, o capitalismo, o consumismo, o elitismo, a rotina e a azáfama de morar numa terra de tanta gente e de ninguém. Foi escolha minha, alimentada por sonhos e objectivos concretos mas todos os dias penso na bonita vista sobre a várzea, lembro-me da minha "avó" falar da monda do arroz e das vindimas, lembro-me do sabor a comida cozinhada no "fogão de lenha", lembro-me das papas de milho nas noites geladas. Estou saudosista. Esta Páscoa não me livro de jogar o dente ao sabor das velhas panelas todas tisnadas. Nem pensem em dar-me comida de supermercado, que eu esta semana quero tudo do melhor.


MF

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Afinal os jovens portugueses não deprimem com a falta de emprego

Em Portugal o desemprego cresce de dia para dia. No final do mês passado foi atingido um número recorde com 15% dos portugueses inscritos na segurança social a reclamar por subsídio de desemprego.

Desse valor, cerca de 217 mil pessoas estão abaixo dos 34 anos, um valor bastante considerável se tivermos em conta que esta é uma faixa etária com mais formação do que as anteriores. Seria de esperar que uma geração tão jovem, com formação superior e sem grandes perspectivas de futuro no nosso país estivesse descontente, receosa e deprimida em relação ao que podem esperar profissionalmente. O sintoma de depressão associa-se muito facilmente a pessoas que vivem em países com graves crises económicas que têm de enfrentar o desemprego e a falta de possibilidades para fazer face às suas despesas. Um exemplo deste estado depressivo associado ao desemprego é o que se tem passado recentemente na Grécia, pois várias pessoas recorreram já ao suicídio para combater a depressão provocada pela falta de emprego.

Contudo, Portugal contraria todas as expectativas e esta geração mais jovem não se mostra deprimida perante a difícil situação que tem de enfrentar. Uma sociedade em que todos os adultos activos tenham emprego garantido no mercado de trabalho é já irreal e os jovens são cada vez mais realistas e sabem o que enfrentam quando acabam os cursos superiores. Cada vez há menos oportunidades, e as pessoas estão conscientes disso mesmo. E em vez de estados depressivos, os portugueses demonstram um espírito lutador e de quem quer lutar contra o desemprego e contra a crise. Os portugueses viram-se obrigados a terem de se destacar para serem diferentes e para conseguirem arranjar trabalho, o que originou pessoas mais criativas, flexíveis, e que não estão apenas focadas numa área.

Os portugueses evoluíram, cresceram e adaptaram-se, e com todas as dificuldades que esta geração jovem tem de enfrentar criámos pessoas com excesso de formação, criativas e com vontade de provar que merecem estar activas profissionalmente. É pena que não tenhamos empresas em Portugal prontas para investir nesta geração, porque o mais certo é perdermos para o estrangeiro excelentes profissionais que poderiam ajudar o nosso país a recuperar.

Por: NS

sexta-feira, 30 de março de 2012

Adeus universidade, Olá mercado de trabalho


Toda a gente sabe como o mercado para os recém-licenciados está nesta em Portugal, e por isso, posso dizer que chegar aos 22 anos e estar numa empresa que tem tudo a ver comigo não podia ser melhor.

E com o que vou dizer a seguir toda a gente me vai querer crucificar… mas é verdade é que eu tenho 22 anos (quase 23 vá…) o que significa uma coisa muito simples: todos os dias tenho de provar o meu valor, e todos os dias quando chego a casa do escritório estou estoirada e só me apetece atirar-me para cima da cama e ficar lá até ao dia seguinte. Ou seja, não tenho a vida que todos os jovens de 22 anos têm. O dia é variado entre casa e escritório, chegar a casa fazer jantar e almoço para o dia seguinte, e quando isto tudo acaba já estou cheia de sono outra vez. Há um ano andava na universidade, sem horários, sem muitas responsabilidades, acordava às horas que me apetecia, ir sair à noite durante a semana. Mas mais uma vez se prova que os portugueses nunca estão satisfeitos.

Agora aprendi a ser responsável, e sinceramente não tenho saudades da vida que tive antes nem me arrependo das escolhas que fiz, mas ficamos sempre a pensar que aquele mundo que tínhamos acabou. E agora chega a Semana Académica, vamos dois ou três e apercebemo-nos que realmente já não pertencemos ali, e que tudo o que nos acontece tem o seu momento próprio e que cada período da nossa vida deve ser aproveitado ao máximo. Aproveitei a universidade, mas não me imagino continuar a fazer vida de universitário depois de tudo acabar.

Às coisas são para ser vividas no momento certo e com as pessoas certas, e essas continuam sempre lá e quando lá voltar os dois ou três dias sei que as vou reencontrar, e que vamos voltar a ter a mesma cumplicidade que tínhamos há um ano, mas os momentos nunca voltarão a ser os mesmos.

Por: NS

quarta-feira, 21 de março de 2012

Hoje venci o 36!


Esta terça-feira vai ficar para a história como o dia em que venci o 36! Espectacular, não acham? Eu, com 75kg e muito em baixo de forma, venci o 36! A sério! Para aqueles que não estão habituados à vida rotineira da grande capital, 36 é uma das carreiras da rede Carris, e eu, meus amigos, fui mais rápido que uma carreira da Carris, por duas vezes!!!

Tudo começou quando me pediram para dar um saltinho a um local para os lados de Campo Grande. Acedi e preparei-me para o que, pensava eu, seria uma viagem calma. Contudo, mal pus os pés na rua, o meu olhar de falcão avistou a carreira, junto à paragem e com o pisca ligado a indicar que estava de partida. Corajosamente, não me deixei desanimar e lancei as pernas ao vento, desviando-me de velhotas e buracos de calçada. Num ápice colei-me à porta mesmo antes de o motorista a fechar. “Toma lá Carris, levei a melhor e nem tive de suar!”. Mais tarde percebi que só me tinha safado por causa dos “picas”. Estavam a autuar uma senhora e entre desculpas e falinhas mansas a porta manteve-se escancarada à minha espera. Não me importei, o meu ego falou mais alto e o mérito era meu. Por momentos recordei os tempos em que vestia calções de licra e calçava ténis de bicos, é verdade, já fui um atleta, dos fraquinhos. Lá segui a viagem, com um sorriso de vencedor nos beiços. 

Fiz o que tinha a fazer e preparava-me para regressar quando, já à luz do dia, o meu olhar de águia real voltou a avistar... o 36! Ajeitei o casaco e, muito elegantemente, sim eu tenho um correr bastante elegante, parti em nova corrida contra o tempo. Saltei na frente de um táxi, pulei um muro(que confesso ter sido apenas para o estilo pois um metro ao lado já não havia muro mas porra, era a minha tarde de glória), e rapidamente me pus junto à paragem. Por maldição dos céus, não cheguei a tempo. Se desisti? Esta era a minha tarde de glória, eu ia vencer novamente! Mirei o horário num instante, a próxima paragem era perto e existia a possibilidade de a carreira parar nuns semáforos. Vi uma chance, uma hipótese, uma luz ao fundo do túnel, não baixei os braços e fui acelerando até não poder mais. O semáforo estava verde mas o cruzamento estava impedido. “Força, eu consigo!”, gritei silenciosamente para as minhas pernas e esgueirei-me por entre o trânsito. A carreira arrancou e voltou a colocar-se na frente, respirei fundo e meti a quarta velocidade, já tinha meio pulmão de fora e a visão começava a ficar turva, tão turva que quase não vi um dejecto canino, juro que parecia um lince a desviar-me de tal obstáculo. Finalmente vislumbrei a paragem, qual oásis, com direito a água potável, um coqueiro, dois camelos e uma marroquina na dança do ventre. Num último fôlego alcancei o malandro, ali prontinho para discutir a vitória no video finish. Ironia do destino, estava uma fila enorme à espera e ainda demorou até chegar a minha vez. Mas o que importava era a minha corrida triunfal, o suor, a respiração ofegante, o sorriso confiante, e até galã, nos beiços. Já não fazia 600 metros àquela velocidade desde a puberdade.

Hoje deito-me descansado. Um campeão. Poucos podem dizer que venceram a Carris duas vezes num só dia, pois eu, faço parte dessa pequena percentagem, dessa elite. Deixem-me só colocar uma música de Queen aleatoriamente, pode ser “We are the Champions”, e vou fazer ó-ó que bem mereço.

MF

domingo, 18 de março de 2012

Parabéns SuperMan-torras


Entre os muitos aniversariantes do dia de hoje, eu destaco um, Pedro Manuel Torres.
Pedro Manuel Torres, nome de guerra: Mantorras. Idade: 30 anos e olhar de menino, daquele menino que um dia disseram que ia ser um dos melhores avançados do Mundo. Lembro-me de o ter visto jogar uma única vez, em 2005 contra o Estoril no Estádio do Algarve. Já na altura o ex-camisola 9 do Benfica estava em eterna recuperação da lesão que lhe roubou uma carreira de sonho. Mantorras entrou em campo e os cerca de 30 mil espectadores levantaram-se para aplaudir o menino pobre que sonhava jogar à bola. Arrepiei-me quando ele entrou, apesar de já nem me lembrar de quem saiu ou a que minuto tal aconteceu. Mantorras entrou em campo sob uma enorme salva de palmas e foi perante esse mesmo público que tentou fazer o gosto ao pé, sem eficácia nessa partida. Numa das suas fintas, o avançado pareceu lesionar-se, vi Mantorras rodar sobre a bola e cair sobre a perna, tremi, o defesa do Estoril ficou estático, o público calou-se, mas o Pedro recuperou a postura e voltou a encarar o defesa. Falso alarme.

Esteve no Barcelona e, na altura, Mourinho apontou-o como uma certeza de futuro craque, veio para Portugal e brilhou no Alverca chegando ao Benfica com 19 anos! Uma malograda lesão retirou-lhe o futuro mas nunca lhe retirou o brilho no olhar, a alegria com que vestia a camisola do Benfica, o sorriso com que contemplava os adeptos, a felicidade com que entrava em campo e o gosto com que marcava e festejava junto aos benfiquistas.

No ano em que o Benfica mais precisava de ser campeão, época 2004/2005, Mantorras foi o herói dos golos tardios, dos pontos úteis que deram a vitória no final. Não tenho quaisquer dúvidas, em relação tempo jogado - importância para o título, Pedro Mantorras foi o melhor jogador do campeonato. Era rápido com e sem bola, aparecia no limite do fora-de-jogo, tinha frieza na altura de encarar o guarda-redes, rematava sem aviso prévio e sem pedir licença, passava a bola, defendia, corria atrás da redondinha como se fosse um miúdo, aliás, era um miúdo com fome de bola e um dos maiores talentos que África viu nascer. Paíto, ex-defesa-esquerdo do Sporting ainda se deve lembrar da última vez que defrontou o Pedro. Sempre que o angolano descaía para a lateral de Paíto algo de mágico acontecia, Paíto não deve ter esquecido as inúmeras fintas e um último túnel de Mantorras, eu não esqueci.

Lesionou-se muito cedo, cortaram-lhe as esperanças e os sonhos, porém, continuou a querer jogar futebol. Sempre que foi chamado, correspondeu com entrega e golos. Continuou a treinar, foi operado diversas vezes e voltou a calçar as chuteiras numa esperança apagada de vir a ser o jogador que todos os benfiquistas sabiam que ele iria ser, o próximo Eusébio.


Merecia ter jogado um segundo que fosse nas últimas épocas, merecia um lugar de honra no Benfica, merecia uma estátua ao lado do Eusébio, merecia um joelho novo e uma nova oportunidade. Por tudo o que fez em tão pouco tempo tenho pena de não ter visto o Mantorras nos palcos que lhe estavam destinados. Durante todo este tempo no Benfica nunca baixou a cabeça. Não saiu pela porta da frente nem pela porta do fundo, saiu pela porta lateral, contudo, merecia um último jogo, uma última coroação, um último troféu. Deu às águias o título mais importante das últimas décadas e a sua alegria contagiante fez sorrir até nos momentos mais complicados da história do clube.

Parabéns pelos bons momentos de futebol que deste ao futebol português, parabéns por teres voado alto, parabéns por teres mantido a humildade em campo, parabéns pelo jogador que foste, parabéns Pedro Manuel Torres, parabéns Mantorras!


Texto por MF, adaptado de um antigo texto escrito em 2010, quando foi anunciado que o futuro de Mantorras como jogador do Benfica, tinha terminado.

quinta-feira, 15 de março de 2012

A minha vida dava um videojogo

"Amanhã faço anos, são tantos que já mal consigo, ou talvez não queira, contá-los. O ano... 2032, ainda ontem era 2011. Saudosamente lembro-me de como tudo começou, o caminho que percorri, as muitas alegrias e as tristezas amargas. Voei baixo, fui palmilhando os degraus, à minha vontade, sem pressões. Escolhi a minha carreira e nela fui um conquistador! Mas uma coisa mantive durante estes anos todos, algo que me fez continuar a olhar para cima e para a frente, nunca perdi o gosto por ganhar, vencer, triunfar, ir mais longe. Posso dizer que ganhei muito porém, isso pouco me importa, ainda há tanto para ganhar e tantos espaços desconhecidos e sítios onde nunca fui e pessoas que nunca conheci. Gosto de olhar para trás, afinal de contas, o caminho por nós percorrido é que nos ajuda a perceber quem somos. O passado e a saudade servem de motivação, não me deixam esquecer o que vivi, as decisões que tomei e as suas consequências.
Iniciei o meu percurso em 2011, há 21 anos, sensivelmente a idade que eu tinha na altura. Comecei por baixo, numa segunda linha mas provei que o meu lugar era lá no topo, junto dos mais capazes, dos mais lutadores, dos mais fortes, dos vencedores. A minha escada ainda tinha muito degrau pela frente, muita escolha, muito desvio, muita passada em falso e muitos patamares para alcançar. Fui subindo, fui saltitando, troquei de empresa mas continuei a levar a melhor sobre a concorrência, a escolher os melhores colaboradores e a construir boas equipas de trabalho. Nunca casei, é uma verdade, nunca tive filhos, não vou a restaurantes, não saio à noite, só faço viagens em serviço, ninguém me conhece vida social e há quem diga que só penso e vivo para o trabalho. Mas no trabalho, sou dos melhores do mundo! Tive as melhores empresas atrás de mim, fui um sucesso nos meios de comunicação, trabalhei com os melhores nas suas funções, conquistei os troféus e as distinções com que todos sonham. O meu nome é Tiago Marquês Francisco, tenho 43 anos, vivo em Stoke on Trent, e sou treinador de futebol."
E esta é a minha vida... made in Football Manager 2011.


Gosto de jogar videojogos, principalmente aqueles que não me ocupem demasiado tempo, gosto de ir jogando, gosto daqueles jogos que me permitem ficar uns tempos sem jogar e não perder a atitude ou momento. Também gosto de futebol, gosto de gestão, gosto da ideia de ser um treinador e gestor de pessoas (mesmo que virtuais). Resultado = muitas horas em frente ao computador a decidir a vida de letras e algoritmos que, na minha cabeça, são jogadores de futebol com sentimentos de ser humano. É um vício saudável, acho eu. Noutros dias já fui um street racer ou um caçador de troféus ou um gangsta ou um extraterrestre louco. Posso ser o que quiser, bom ou mau, grande ou pequeno, bonito ou feio, bem sucedido ou um fardo para a sociedade, sou eu que escolho e decido e sou dono e senhor de mim e do mundo que me rodeia e se algo não me agradar basta carregar num botão e volta tudo ao início. No meu mundo virtual, ai de quem se atreva a desafiar-me, sou eu quem manda!


MF

quarta-feira, 7 de março de 2012

A língua do Camões está jogada aos estrangeirismos


Inicio esta exposição de ideias vulgarmente tratada por texto a lançar uma “padrada” à “língua de Camões”. E numa só frase me perco em ideias perdidas à toa neste pedaço de corpo a que eu chamo cabeça. Porquê chamar “língua de Camões” ao português? Porquê lançar uma “padrada” quando a palavra correcta seria pedrada e mesmo assim já cheira a calão? Porquê falar em texto e não em “post”? E porquê o uso de “aspas” ? E porquê a repetição do porquê? E mais um ponto de interrogação e mais um “e”... porra! Exclamo contra mim, e que raio quero dizer com isto? E pronto, outro “e”, mais “aspas” e outra interrogação...

Que é um “post”? Não vou mentir e fingir-me santo, também eu cedo aos estrangeirismos várias vezes ao dia, também sei hablar e speakar e até sprechar noutras línguas, desenrasco-me razoavelmente bem e não escuso puxar aos estrangeirismos para me fazer compreender. Porém, eu, português orgulhoso em ser algarvio, não falo a língua de Camões. Falo inglês, dou uns toques no alemão e pontapeio um pouco de portunhol mas não falo a língua de Camões. A língua de Luís Vaz está morta há alguns séculos. Aliás, arrisco-me a dizer que a língua de Camões é um estrangeirismo. Admito que, por esta altura, já me tenham chamado de idiota, aceito e contesto, tenho esse direito e pretendo usá-lo. Então não é que a língua de Camões está para o português como a língua de Cervantes está para o castelhano ou a língua de Shakespeare para o inglês ou a língua de Dante para o italiano? Alguém começou e os restantes adaptaram à sua realidade partindo do mesmo pressuposto. Para mim, enquanto a liberdade de expressão me permitir, isto é uma espécie prima de estrangeirismo.

Vivemos numa pequena aldeia global onde a nossa língua continua a ser falada na Europa, em África, na América do Sul e lá para o Oriente. Utilizam-se expressões próprias, mais “facto” menos “fato”, mas ainda existe uma pontinha a Luís Vaz um pouco por todo o lado. Há dias li um texto de uma pessoa séria num meio nacional que dizia ser estúpido o português ter um acordo ortográfico único quando o inglês ou o espanhol tinham dezenas de variantes. Realmente é estúpido. Já os estrangeirismos são mais que muitos e é quase impossível passar um dia sem recorrer a eles. Eu só tomei consciência que estava a ser engolido pelos estrangeirismos quando deixei de rir e comecei a dizer “LOL” quando achava graça a alguma coisa. Que idiotice. “Venham de lá os hahaha e os hehehe, devolvam-me as onomatopeias”, disse para mim. Desde então, voltei a rir normalmente. Até irrita contar uma piada e ouvir um “LOL” invés de uma valente gargalhada.

Nesta aldeia global a língua de Queirós está a ser tomada de assalto pelos estrangeirismos. Não é mau, muito pelo contrário. Essas palavras que vamos buscar a outros dialectos aproximam-nos do resto do mundo. Que faríamos nós sem conhecer os estrangeirismos? Voltando ao acordo ortográfico, não é um avanço mas sim um retrocesso de um povo mesquinho e picuinhas. Em vez de acordo ortográfico mais valia acrescentar meia dúzia de estrangeirismos ao dicionário e ficava ok.

"Padrada" atirada por MF

segunda-feira, 5 de março de 2012

Uma geração com uma educação internacional, mas que se recusa a emigrar


Fazemos parte de uma geração que foi educada pelas novas tecnologias. Desde cedo que nos sentimos presos ao mundo da televisão, da internet, “conhecemos” Nova Iorque sem nunca lá ter estado, aprendemos mais história com filmes e séries do que na escola, identificamos muitas das obras que estão no Louvre sem nunca as termos visto. Vivemos numa sociedade global, em que não é difícil conhecer uma cidade ou um país, basta ter acesso à internet. Somos cidadãos do mundo, e a curiosidade de apreendermos outras culturas está-nos intrínseca, fomos educados assim. Cerca de 20% da nossa geração já viveu fora do país, seja em regime de erasmus ou programas de verão para aprender uma determinada linguagem ou fazer algum curso.

Seria de esperar que fôssemos uma geração preparada e pronta para emigrar. Quando toda a gente em Portugal nos diz que a melhor opção de futuro é a emigração, são muito poucos os que realmente consideram esta ideia. Entrámos na universidade numa altura em que a situação económica não estava má, estudámos e investimos no nosso país, preparamo-nos para fazer futuro cá, e agora dizem-nos para abandonarmos todo o investimento que fizemos, para abandonarmos a nossa família, a maioria dos portugueses não está preparada para sair do país sem perspectivas de regresso. Se nos dissessem que daqui dois anos estaríamos de volta, e que a situação iria estar melhor, não duvido que muitos jovens não se importassem, mas afinal os portugueses até amam o seu país, ao contrário do que se diz por aí.

Os estudantes portugueses são superiores em muitos países, e se qualquer português com uma licenciatura decidisse emigrar para a América do Sul, o mais certo era encontrar um bom emprego com um salário muito superior ao que receberia por cá, mas continuamos a preferir manter as nossas raízes. Para muitos será uma situação de comodidade, eu não penso desta maneira. Os portugueses nunca na sua história foram um povo cómodo, por muitas vezes fomos à aventura, mas acho que agora não é o momento ideal para o fazermos. Portugal precisa dos seus jovens, de sabedoria e conhecimento, Portugal precisa de ideias inovadoras e novas áreas de investimento, podemos não encontrar emprego na área que desejamos, mas podemos gerar riqueza no nosso país em outras áreas. 


Por: NS

sábado, 3 de março de 2012

NS - Joana Neves de Sousa

Nome: Joana Neves de Sousa
Assina: NS


Com uma infância dividida entre Cascais, Oeiras e Portimão, o bichinho ficou cá dentro e quando foi hora de escolher a Universidade certa, o Algarve voltou ao meu caminho. Passados três anos e uma licenciatura em Ciências da Comunicação tinha a certeza da área que queria seguir: comunicação empresarial. Se no início não sabia se queria seguir uma carreira em eventos ou em assessoria de imprensa, agora sei que encontrei o certo, o equilíbrio. Enervo-me facilmente com o que se passa à minha volta, mas principalmente com a falta de maturidade dos portugueses e com as pessoas que se queixam e não tentam melhorar as suas vidas. Não temos muitas oportunidades de fazer o que realmente queremos e gostamos, mas se nunca lutarmos para o atingir, é certo que nunca vamos conseguir. Com 22 anos tenho um trabalho na minha área e faço o que gosto, posso considerar-me uma privilegiada, mas também uma lutadora. Recusei-me a baixar os braços e a aceitar o primeiro estágio, todos os dias mostro que tenho capacidades para mais e que quero mais. Não me contento com menos do que mereço e nunca hei-de contentar, porque os meus sonhos são mais altos do que isso.

DS - Filipe Pardal

Nome: Filipe Pardal
Assina: DS


São vinte e um anos a arrostar uma escada, passo a passo… medo a medo. No Alentejo, no Algarve e agora na capital Portuguesa. Até que tropeço uma e outra vez no ego, sem ter de ser no meu, o de alguém, seja em que região for. Ao cair vou na direção de uma teia que o ódio embutiu novamente no meu trilho, uma história comum a todos – resisto! – Mais uma vez embato na tenacidade que julgava perdida, que dá tanto trabalho a polir. Toda a gente me vê, mas não é nada fácil manter-me nas luzes da ribalta, esperando pela execução de olhos sedentos de inimizade, aquela que Voltaire disse que era boa. Eu não quero o que eles querem, eu não sinto o que eles sentem, estou encalhado em mim e é a ti que pertenço… É tão fácil ser mágico e tão difícil ser eu…

FM - Mafalda Ferreira

Nome: Mafalda Ferreira
Assina: FM


Gosto de inventar e não o sei fazer. Contento-me bastante com palavras. E, talvez por isso, esteja a escrever uma mini-biografia e não a cantar ou desenhar.
Gosto de pôr o Mundo em fragmentos de frases e combiná-los de uma forma irracional.
Nasci há vinte e um anos, em dias amenos, em pleno Alentejo, e não costumo ter um humor certo. Não gosto de frio nem de calor, não gosto do silêncio nem do barulho.
Orgulho de já ter deixado um testemunho da minha passagem pela Terra e de continuar a trabalhar para crescer na área da escrita.
A poesia é a minha companhia. Sou um pouco complicada mas ela sempre volta atrás para me abraçar, depois de uma discussão.
Não gosto de rótulos, de ser estudante, trabalhador, desempregado ou um iluminado... Sou mais uma pessoa que passa pela Terra e percorre um processo de crescimento e auto-conhecimento.
Faço parte deste projecto para partilhar convosco o meu pensamento e mostrar que juntos damos mais força à palavra.

MF - Tiago Marquês Francisco


Nome: Tiago Marquês Francisco
Assina: MF

Bebé e criança em Aljezur, adolescente em Lagos, universitário em Faro, empregado em Lisboa. Por cá desde 1989. Tenho três grandes paixões: desporto, comunicação e humor. Como não tenho jeito para nenhuma, estou a moldar o meu trilho no sentido de juntar as três e singrar na vida. Até agora sem sucesso.
Sou um português orgulhoso em ser algarvio. Eterno revoltado porém, cobarde. Reclamão, pessimista, teimoso, curioso, ambicioso. Sou daquele tipo irritante que, ou se gosta, ou se odeia. E se a leitora ainda não me odeia, não receie ficar apaixonada, tenho boa aparência e uns trocados no banco. Não tenho uma frase inteligente para terminar pois eu e a inspiração estamos numa “relação complicada”. Deixo três concelhos: caminha connosco neste blog, derruba paredes e juntos venceremos a batalha dos textos rotineiros e paupérrimos. 

Sem medo de represálias - Não gosto dos Oscares


Não sou cinéfilo. Raramente concordo com os críticos. Não gosto de filmes que antes de estrear já são candidatos aos Óscaros. Nunca vi o E.T. e não chorei a ver o Toy Story 3. O meu filme preferido é Ice Age. E ai daquele que fale mal do Scrat, que eu parto logo para a violência. Adoro filmes de animação e comédias e violência gratuita e estórias enleadas e finais inesperados. Não sou cinéfilo e acrescento ainda, não percebo grande coisa de cinema. Por isso, não vou falar dos Oscares. Alguém irá falar dos Oscares, dos vestidos das raparigas, dos discursos emotivos, das pindéricas que não se arranjaram o suficiente para a cerimónia, das ressabiadas que não apareceram porque já estavam à espera de não ganhar a estatueta. Os críticos de moda falam das bem vestidas e humilham com palavras de desprezo aquelas que não souberam vestir Prada ou Dolce Gabbana. Ninguém liga aos cavalheiros, qualquer camisa e casaco passa por vestimenta apropriada, já as mulheres passam de senhoras a rebeldes num centímetro de cabelo ou de elegantes a pindéricas num centímetro de vestido. O homem está sempre bem. Menos bem ou mais bem, mas bem. Os críticos de cinema falam dos vencedores, dos quais já tinham falado seiscentas vezes mas que, porque venceram, são justos vencedores. Os críticos de televisão falam do apresentador e das suas piadas. Enfim, não ligo a isso, não perco o meu tempo a ver a cerimónia e passo à frente nessas folhas dos jornais. Não sou rebelde, simplesmente não gosto. É apenas uma estatueta cujo merecimento é decidido por seres humanos. No mundo democrático não existe vencedores justos porque até os eleitores são escolhidos pelo “sistema”.
Ora, tudo isto para falar sobre o detective que há em mim. Estava eu no outro dia a laborar quando ouvi um choque, uma pancada, um estrondo. Tentei conter-me, tentei não ligar. “Não se passa nada, não me vou levantar, vou lá ver, não vou nada, fico aqui, vou levantar-me, já não há nada para ver”, fui fraco e fui à janela ver o que se passava.
Situação: um veículo pesado de transporte de passageiros com a roda da frente no passeio e um veículo ligeiro de classe média-alta atravessado à sua frente.
Primeiro diagnóstico, qual detective inglês do século XIX com chapéu de côco na cabeça, gabardina comprida e cachimbo ao canto da boca: Dear Watson, o malandro do motorista abalroou o sujeito do veículo ligeiro um!
Chega a autoridade, um polícia que estava ali perto, e manda seguir o autocarro que afinal não tinha qualquer interferência na ocorrência.
Situação: três veículos ligeiros com danos. Veículo um – traseira amachucada; veículo dois – frente danificada; veículo três – chassis frontal todo partido, porta-bagagens para dentro e vidro traseiro espalhado pela estrada. Escusado será dizer qual era o carro mais pobre nesta brincadeira.
Segundo diagnóstico, com chapéu de côco na cabeça, cachimbo na mão esquerda e indicador direito a apontar na direcção do culpado: o sujeito do veículo dois embateu no veículo três que foi projectado contra o veículo um e acabou num reboque barato.
Tudo normal, os bombeiros limparam os vidros, a situação ficou resolvida com a chegada de mais dois carros da autoridade, o trânsito voltou a circular e eu tive de voltar ao meu posto. Contudo, voltei a sentar-me com sentimento de dever cumprido. Eu solucionei o caso, que talvez nunca tenha chegado a existir. 
“Dear Watson, another case solved. Two pints. You pay.”.

MF

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

"Ela está fixe, mas isto é um B."



  A notícia é breve mas apresenta a essência da nova publicidade da Federação Portuguesa das Associações de Surdos. Criada pela agência de publicidade YoungAD intitula-se " YoungAD lembra que os surdos também falam português" e coloca o leitor em reflexão sobre a forma como os surdos são vistos e tratados na sociedade.
  Em http://vimeo.com/37538004 é possível visionar o filme publicitário que acompanha esta campanha e nos transporta para uma realidade que passa ao lado de grande parte da população mundial.
"Ela está fixe, mas isto é um B" é um autêntico slogan "abre-olhos". Quem olha percebe imediatamente o sinal que ela está a fazer, mas poucos conhecem a sua verdadeira interpretação. E aí se coloca a questão: Será assim que vemos as pessoas surdas que todos os dias passam por nós? Isto é, não vemos, porque só olhamos e esquecemos de perceber.
  Um dos problemas inerentes a esta observação é o facto de que cada individuo no seu dia-a-dia, raramente, olha para o próximo e vê. A primeira impressão regista uma reduzida e frágil realidade do indivíduo que se observa, mas é nesta que, em grande parte, a sociedade se baseia. O surdo é, muitas vezes, dificilmente notado, pois não possui uma deficiência que se detecte ao primeiro olhar; é necessário procurar ver. E quando se vê, que reacção podemos ter? Há quem faça gestos, quem escreva ou até mesmo quem fale mais alto, mas poucos podem responder à altura, ou seja, através de linguagem gestual. 
  A questão sobre a qual esta campanha se foca é o défice de formação em língua gestual verificado em todo o Mundo. Não existe, por parte dos governos, a preocupação em fomentar o ensino de linguagem gestual nas escolas, de sensibilizar a população para a importância deste tipo de linguagem e de mostrar, nomeadamente aos mais jovens, que esta é uma realidade que poucos vêem. 
  Não estará na hora de acordar mentalidades para a necessidade de adquirir a linguagem gestual tal como se aprende outra língua estrangeira? Porque existe, denomina-se Língua Gestual Portuguesa e merece ser leccionada em escolas tal como a Língua Portuguesa.
  Ao ser implementado o ensino desta língua nas escolas tal não contribuiria só para a maior inserção social dos surdos, mas também facilitaria o acesso à formação em língua gestual por parte de quem procura esta aprendizagem.
  Somos uma sociedade moderna que ainda diminui minorias. Em pequenas tentativas se mostram as injustiças deste Mundo, mas será que os olhares que lhes assentam são suficientes para mudar o Mundo?

Por: FM

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Nós, portugueses, somos mansos!


Texto escrito por MF.

Caro leitor, antes de ler, semicerre os olhos, franza o sebrolho, arreganhe um bocado os dentes, odeie o que vai ler. Pense no seu chefe se isso o ajuda a estar irritado, pense que o seu clube perdeu, pense que a crise veio para ficar e que o Zé Castelo Branco é um homem! Sinta o calor a subir pela espinha, aquela vontade de partir qualquer coisa (atenção: não parta nada pois o autor deste texto, eu, não se responsabiliza por nada do que aconteça desse lado do monitor) e grite com toda a gente, ofenda a primeira pessoa que lhe apareça à frente! Revolte-se!!!
Entrei no outro dia num café para beber uma bica e lá estavam três reformados a ler o Correio da Manhã e a falar sobre a Troika. Entre um saudoso “se fosse no nosso tempo” e um humilde “se eu não tivesse à rasca das costas ia lá tratar-lhes da saúde”, aquela mesa definhava o rumo de Portugal. A sério, acreditem no que vos escrevo. Por azar não consegui descobrir o plano para tirar o país da crise pois chegou um novo parceiro, salvo seja, e lançaram-se ao jogo do IKEA (a sueca... mas que bela piada que eu me lembrei). O futuro do país, afinal, pode esperar.
Nós, portugueses, somos mansos como a tia do Francisco Louçã (n.d.MF. Frase proferida por José Sócrates em Abril de 2010). É a verdade. Somos tão mansos que até a nossa grande revolução foi feita sem violência e com cravos à mistura. Uma manifestação portuguesa é um ajuntamento de desocupados com a companhia do senhor que vende o Borda d'Água. Que país é este? Foram os antepassados destes mansos que expulsaram os romanos da Península Ibérica? Que seguiram um minorca de 1,40m e o ajudaram a bater na mãe? Que viram uma mulher com um pau enfiar uma remessa de espanhóis num forno de lenha? Que se lançaram ao mar em cascas de nozes e descobriram os Açores, a Madeira ou o Brasil? Que, mesmo com o rei a fugir para o Brasil, afinfaram três coças ao Napoleão? Que foram pioneiros a abolir a pena de morte? Que nunca se encolheram perante as ameaças forasteiras e controlaram grande parte do mundo ocidental? Que país é este? Que país é este que se deixa governar por um bando de engravatados num ajuntamento de nome russo? Que país é este que se esqueceu de que país é?
Sou contra a violência, ou, por outras palavras, sou um medricas. E, como tal, imagino o que o poder das palavras e dos gestos podem proporcionar. Imagino, como seria Portugal se fosse dirigido por um não-político. Como seria Portugal se tivesse um líder como o Mourinho no poder? Ou um dirigente como Pinto da Costa? Ou um estratega como Carlos Coelho? Ou um investigador como Vasco Mantas? Ou uma empresária como Sandra Correia? Serei eu tão parvo porque vejo em Portugal tanta riqueza? D. Afonso Henriques fundou uma nação rica e D. Sancho I teve a ousadia de conquistar o Algarve. Tanta riqueza que eu vejo. O clima, as magníficas praias, os terrenos férteis, a gastronomia, a riqueza que os nossos antepassados nos deixaram como o Mosteiro dos Jerónimos ou o Convento de Mafra. A sardinha e a feijoada à transmontana, a pêra rocha e a batata doce, o perceve e a azeitona, o moscatel e o vinho do Porto, a cortiça e o corridinho, a telha e a chaminé do Algarve, a cerâmica e o galo de Barcelos, o tapete de Arraiolos e a guitarra portuguesa. 




O Eça de Queirós, o Saramago, o Vasco da Gama, o Marquês de Pombal, o Luís de Camões, o Aristídes de Sousa Mendes, o Fernando Pessoa, a Amália, o Zeca Afonso, o Manoel de Oliveira, o António Champalimaud, o Gil Vicente, a Sophia de Mello Breyner, o Egas Moniz. O Eusébio, o Pedro Flores, o Tony Carreira, o Herman José, o José Cid, a Mariza, a Paula Rego. E podia continuar mas acho que o leitor já percebeu a minha ideia. Somos mais pequenos? Somos mais burros? Somos mais preguiçosos? Somos menos lutadores? Eu, na minha inocência e parca sabedoria, respondo que não e não tenho medo de ser chamado à prova oral!
Agora, que calculo ter prendido a atenção do leitor, deixo para trás as perguntas retóricas e questiono o leitor à séria: Que raio de país é este? Não é a gritar na rua que vamos sair da crise (que me desculpe o camarada Jerónimo que continua a discursar em manifestações), não é a chamar nomes ao político que abre o noticiário das 8, não é a “conspirar” no café, não é a bater na mulher porque não temos dinheiro para pagar a TDT. É preciso ir à luta. Consumir o que é português, produzir e exportar o que temos de bom, convencer os estrangeiros a vir cá gastar os seus trocados e criar condições para que os nossos médicos, os nossos cientistas, os nossos gestores, os nossos empresários e todos os cérebros da nação não nos abandonem porque somos mansos.

PS: para quem encontrou nomes desconhecidos neste texto - vá ao motor de busca Sapo, que é português e terá todo o prazer em lhe dar a conhecer algumas mentes brilhantes deste país.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

De bestial a besta em seis meses


Vi agora as declarações de Oceano, ex-capitão do Sporting e internacional português, à Rádio Renascença. Para quem não ouviu ou leu, fica aqui, a título de curiosidade. Pois bem, o que eu gravei desta entrevista foi: “Não é em seis meses que o Domingos deixa de ser bom treinador“. E tem toda a razão, digo mais, concordo e apoio as palavras do Oceano.

E o que é dito para Domingos também serve, ou devia servir, para André Villas-Boas. Ora, no final da época passada eu tinha deixado os meus elogios a Domingos Paciência e a André Villas-Boas, na altura num outro blog. Tinha, aliás, colocado os dois jovens treinadores no lote de melhores treinadores portugueses, ao lado de Jorge Jesus e do mister Paulo Bento e um pouco abaixo de José Mourinho. E aqui abro um parentêsis para pedir perdão aos não mencionados (que me perdoem o professor Jesulado Ferreira ou o estudioso Manuel Machado ou o “mestre” Ilídio Vale ou até as revelações Leonardo Jardim, Rui Vitória e Rui Bento). Contudo, os cinco portugueses que mais cartas dão no futebol, na minha opinião, são eles. Pela postura, pela confiança, pela irreverência, pelo que dizem, pelo que fazem, pela forma como o fazem, são “especiais”, cada um à sua maneira mas todos “especiais”.

Seguindo até Inglaterra antes de voltar ao Domingos. André Villas-Boas perdeu, ontem, a oportunidade de dar mostras do seu valor e do valor dos seus jogadores. O Chelsea fez um grande jogo frente ao campeão inglês. Após o golo, tomaram conta da partida e chegaram ao 3-0 sem grandes espigas. No momento do 3-0 o Mundo pôs os olhos em Villas-Boas. O “Special Two” estava de volta, o Chelsea estava de volta, os 15 milhões no treinador e até os 58 milhões pelo Fernando Torres começavam a fazer sentido (não marcou mas assistiu e deu algum trabalho à defensiva do United). Se o jogo tivesse acabado no momento do golo de David Luiz, o treinador português seria de novo um dos melhores do Mundo. Porém, não acabou e os reds conseguiram chegar ao empate. Em noventa minutos Villas-Boas passou de besta a bestial e voltou a besta. É aborrecido. Talvez o seu maior erro tenha sido chegar a Terras de Sua Majestade e apontar objectivos muito elevados. Eu continuo a ser adepto do “Special Two”. Merece crédito por ter feito do FC Porto vencedor da Liga Europa e campeão nacional sem derrotas. O FCP é sempre candidato ao título e uma equipa com historial nas competições europeias? Sim. Mas quantos ganharam 4 troféus na primeira época de um clube que no ano anterior tinha apenas uma Taça de Portugal? Independentemente de tudo, o rapaz teve um papel muito importante na época perfeita dos dragões. E Vítor Pereira que o diga...

Agora sim, Domingos, Paciência. O ex-avançado do FC Porto e ex-treinador do SC Braga chegou ao Sporting qual D. Sebastião envolto em nevoeiro, que pode até vir a ser o nevoeiro da Choupana caso vençam na quarta o Nacional. E só posso dizer uma coisa, Domingos é um grande treinador e está a fazer um trabalho impecável. Que venham os saudosos pedir o regresso do Paulo Bento ou até do Boloni, o melhor treinador que o Sporting pode pedir é o que já foi escolhido por Godinho Lopes. Pequenos pormenores são rapidamente esquecidos, como a limpeza de balneário ou a reformulação táctica. Domingos renovou o Sporting e o certo é que Alvalade está com uma média de espectadores muito elevada em relação às últimas épocas, e os adeptos voltaram a gritar em Alvalade e a apoiar a equipa até ao último minuto. O Sporting foi, durante cerca de dois meses, a equipa a praticar melhor futebol em Portugal. Isso já poucos se lembram. O que está fresquinho é o início do ano com apenas uma vitória e o “caso” Bojinov. Depois de todas as piadas feitas em redor do nome do treinador e dos lenços brancos em Alvalade, para mim o correcto seria “Domingos, Paciência”, que se estiveres aí na próxima época, teremos os leões a lutar pelo título porque encarar Benfica e Porto nos olhos, já o fazem.

MF

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Na feira de tecnologias tudo é possível...


A maior feira de electrónica de consumo decorreu no passado mês de Janeiro em Las Vegas. A Consumer Electronic Show, como é mais conhecida, apresenta todos os anos as últimas tendências e as novidades no que toca a gadgets. Uma feira ousada, onde os consumidores sonham com portáteis com a grossura de uma folha de papel ou com carros apetrechados com facebook… há para todos os gostos.

Há dois anos prometeram smartbooks, e a Apple no mesmo ano superou expectativas ao apresentar o iPad, ultrapassando o prometido pela CES. Os smartphones foram esquecidos, e todas as marcas começaram a produzir tablets.

Este ano, a última novidade são os ultrabooks, e toda a gente quer saber o que são estes ultrabooks… muito simples, são portáteis super finos e leves, mas com ecrãs de dimensões grandes e com uma capacidade técnica que tanto dá para trabalho, como para lazer. Outra novidade apresentada é o acesso ao Google a partir da televisão, a Google TV que está presente nas marcas Sony, Samsung e LG. Para que os utilizadores possam aproveitar todas as funcionalidades, esta tecnologia vem acompanhada de um teclado qwerty. Pode ser algo já comprado com o televisor um ou serviço adquirido à parte.

Quem é que não gostava que o seu carro tivesse uma ligação à internet, com uma aplicação do Facebook? A Mercedes e a Ford aliaram-se à CES e apresentaram os seus novos modelos. Mas não pense que pode conduzir e actualizar o seu mural ao mesmo tempo, pois todas as funcionalidades de texto são automaticamente desactivadas quando o carro se encontra em movimento. 

Agora resta-nos esperar para ver se todas as perspectivas vão ser cumpridas durante o ano de 2011 ou se vão ser ultrapassadas (esperamos que sejam!!!)

Por: NS

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

E se te perguntassem uma cena diferente?


Hoje li esta bela notícia. E pretendo, seriamente, encontrar a revista para descobrir se saiu em tamanho alargado. O título é “Entrevista de emprego: as perguntas preferidas”.

www.hrportugal.pt

A situação do país, e do mundo, leva a que seja preciso ser diferente, em tudo. A palavra do dia é proactividade e a acção preferida é inovação. É o que as empresas pedem, enquanto chefes, enquanto clientes, enquanto empresas. O mercado de trabalho é exigente e os processos repetidos, as rotinas e as respostas feitas não conseguem singrar mais. É um facto, que não consigo apontar nenhum estudo que o comprove, contudo, tenho plena consciência do que estou a dizer e afirmo sem receios: Proactividade e Inovação são as palavras de ordem. Haja “cojones” para as gritar bem alto sem medo que a vizinha de cima chame a polícia! Quem se rege por manuais orientadores que nos dizem para fazer isto ou aquilo porque é o caminho, irão acabar por se dar mal. O leiteiro que todos os dias segue o mesmo percurso irá atrapalhar-se quando encontrar uma rua cortada, o operador de máquinas que está habituado à sua retroscavadora terá problemas quando tiver de utilizar uma mais nova e moderna, o jogador de futebol que faz sempre a mesma finta irá ficar sem soluções quando o adversário descrobir o seu movimento, o publicitário que segue sempre as mesmas linhas de pensamento terá problemas quando a mesma empresa lhe pedir outro trabalho que seja diferente, o padre que diz sempre o sermão da mesma forma irá perder fiéis à medida que eles vão decorando a missa. Nas várias profissões que referi, a falta de proactividade e inovação, criam problemas aos trabalhadores. Experimentem aplicar noutras profissões, noutras funções, noutras áreas. Garanto-vos, leitores bonitos, este raciocício é tão ou mais acertado que aquelas imagens virais das redes sociais que nos dizem que 11111 x 11111 = 123454321.

E com isto chego ao meu mundo: a comunicação. Ora, todos nós comunicamos. Olha, outro facto! Comunicamos com os nossos amigos, com os nossos colegas, com os nossos professores, com os nossos alunos, com os nossos patrões, com os nossos empregados, com o senhor do talho, com o taxista, com aquela rapariga gira com quem nos cruzamos no supermercado e nem chegamos a meter conversa, com o polícia que entretanto foi chamado pela vizinha de cima. Sobre o que comunicamos? Sobre tudo... e sobre nada. E esta teoria da relatividade é outro facto! Three in a row, I'm on fire! Big cojones my friends, very big cojones! Não vou analisar a comunicação verbal e não verbal pois faltei a essa aula de psicologia e prefiro não aprofundar algo que desconheço. Ora, um comunicador pode pensar que sabe comunicar ou que descobriu um método infalível, por muito que pense que essa fórmula é mágica, irá ter um desgosto quando descobrir que não é. Por várias razões, porém, eu aponto a que para mim é a mais óbvia: a audiência, a pessoa ou pessoas com quem comunicamos. Todas as pessoas são diferentes, excepto os homens que, para as mulheres, são todos iguais. E, como tal, é preciso comunicar de forma diferente. Um tom de voz, um olhar, um gesto, podem ser interpretados de forma diferente, variando consoante o comunicador e a audiência. Assim, lentamente, chego ao ponto principal deste parágrafo: para saber comunicar é preciso proactividade e inovação. No modo como interagimos com diferentes audiências e como alteramos o nosso discurso (comunicação verbal) e a nossa postura (comunicação não verbal) conforme as reacções da mesma. Também é preciso ter ambição, confiança e atitude mas isso ficará para mais tarde.

Já me ia esquecendo, entrevistas de emprego. Para dizer a verdade, apenas fui entrevistado cinco vezes. No entanto, as cinco entrevistas foram diferentes. Porque os trabalhos eram diferentes, porque as empresas eram diferentes, porque os entrevistadores eram diferentes. Já tinha ouvido muitas histórias de cenas maradas que podiam perguntar ou perguntas-padrão. Como eu sou teimoso e preguiçoso, nunca me preparei para as entrevistas, deixei-me levar pelo momento. Fazendo a retrospectiva, devo-me ter saído bem porque consegui 80% dos trabalhos. Na maioria das vezes fui confrontado com o procedimento padrão: falar sobre nós, sobre a nossa experiência e porque nos achamos capacitados para tal função. Tudo certo, é o suficiente para ficar a conhecer bem o perfil do entrevistado. Mas (há sempre um “mas”) sou a favor da proactividade e da inovação. Tenho curiosidade em saber como reagiria a perguntas como as que surgem no texto original que motivou o meu desabafo. Ou até outras perguntas mais estapafúrdias ou irrisórias. E vocês, como reagiriam à pergunta “Com que personalidade pública se identifica e porquê?”. Comigo, num segundo o meu pensamento iria viajar entre “não posso dizer um cromo qualquer” ou “não posso ser muito convencido” ou “que raio de pergunta?” ou “gostava de ser o Bill Gates pela conta bancária, o Brad Pitt pela aparência ou o Son Goku pelos super poderes”. E todas estas respostas, leitores bonitos, irão dizer algo sobre mim. A resposta correcta? Nenhuma. Que resposta podiam dar, no caso de ser eu o entrevistador? Uma que mostrasse proactividade e inovação.

MF

sábado, 28 de janeiro de 2012

Feriado sim, Feriado não.


"O 5 de Outubro e o 1 de Dezembro, respectivamente Implantação da República e Restauração da Independência, vão sair da lista de feriados obrigatórios, de acordo com a proposta que o Governo vai apresentar aos parceiros sociais e que ontem foi anunciada pelo ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira. 
A proposta inclui ainda a eliminação de dois feriados religiosos – Assunção de Maria (15 de Agosto) e Corpo de Deus (assinalado a uma quinta-feira, 60 dias após a Páscoa).
Quanto à escolha dos feriados, Álvaro Santos Pereira justificou-a alegando que "não haveria muito mais alternativas", porque o Governo não queria acabar com os outros feriados civis." in Correio da Manhã, 27 de Janeiro

Terminar com alguns feriados foi uma das soluções dadas pelo Governo português para enfrentar a crise, uma questão que já deu muito que falar.
Os pensamentos dividem-se: por outro lado há quem defenda fielmente que os feriados não devem ser cortados, por outro lado há quem diga que os portugueses passam bem sem todos os feriados.

Na verdade os feriados não deixarão de existir, só mudará a forma como passamos o feriado. Isto é, continuará a ser feriado, mas passado a trabalhar. O espírito mantém-se, será sempre 5 de Outubro, 1 de Dezembro, 25 de Abril e todos os outros dias comemorados no nosso país, só deixará de ser possível estarmos presentes em comemorações que marquem o dia.

 Quando vos dizem «Amanhã é feriado!» o que é que vocês pensam?
a) Tem razão, amanhã é um dia bastante importante para o nosso país, comemora-se a Implantação da República.
b) Que bom! Posso ficar em casa.
c) Que pena amanhã terei de trabalhar e gostava tanto de ir à sessão de comemoração deste feriado organizada pela Câmara Municipal.

A questão é: o total de população portuguesa que participa nas comemorações dos feriados é maior do que o total de população que se sente satisfeita que seja feriado porque será um dia sem trabalhar?

Não esqueçamos que teremos de contribuir para melhorar o estado do nosso país, por isso é necessário incrementar medidas que aumentem a produtividade dos recursos humanos de qualquer organismo. E como fazer isso se não trabalharmos mais? É necessário definir estratégias para reestruturar Portugal, partindo de todos.
Acredito que argumentos todos teremos bastantes para defender o nosso ponto de vista sobre este assunto, mas o mais certo é chegar-se a um consenso que sirva para proteger a população - de despedimentos, falecimentos, reduções de ordenados - e não que satisfaça uma minoria.

Quanto à escolha do Governo em cortar determinados feriados e não outros, o esclarecimento pode ser lido acima e não traz nada de novo. 
Para os que defendem a existência de feriados como antes, espera-se que não haja mais cortes de feriados. Para quem acha que o feriado pode perfeitamente ser passado a trabalhar, aguarda-se que mantenham este espírito.

E para que possa construir a sua própria opinião sobre este assunto, deixo uma questão: Não será mais justo acabar com alguns feriados do que despedir muitas pessoas ou entrar em falência?


Por: FM

Vamos simbora Gabão!

Ontem perdi-me pela Eurosport a apreciar a Taça das Nações Africanas (CAN). Confesso que não costumo acompanhar o jogo da bola fora da Europa (e mesmo no Velho Continente sou um pouco selectivo) mas, como qualquer apreciador de futebol, tenho visto a sua evolução em África. Evito, por hoje, falar de grandes jogadores que o continente africano nos tem mostrado, Drogba, Essien, Yaya Touré, Zidan, Kanouté, Keita, Gyan, Boateng ou os "nossos" McCarthy, Mantorras e Balboa. Porém, vou focar-me nas selecções e, principalmente, na partida que vi ontem.
A CAN2012 realiza-se no Gabão e na Guiné-Equatorial e ontem jogou o Gabão frente a Marrocos. A história do futebol africano apontava os marroquinos como favoritos, tal como os nomes na ficha de jogo, e do outro lado pesava o factor casa e a fraca exibição de Marrocos frente à Tunísia no jogo anterior. Pelo que, Marrocos a adiantar-se no marcador não foi das maiores surpresas da minha vida. Contudo, e cada vez tenho notado mais isto, há golos que fazem mal à equipa que os marca e dá forças a quem os sofre. Uma segunda parte com lances deliciosos, muita, mas mesmo muita, emoção e no final uma vitória merecida para quem mais lutou pelos 3 pontos. Independentemente das questões técnico-tácticas que os críticos de futebol e o Jorge Jesus tanto gostam de referir, é notória a qualidade e a vontade dos jogadores africanos. O Gabão, sem grandes estrelas ou história no futebol de selecções, deu uma lição de humildade, querer e garra aos "Leões do Atlas". Valeu a pena esperar pelo minuto 77 para assistir ao empate, num lance em que eu gritei golo antes do lateral efectuar o arremesso (para espanto de um amigo meu que deve ter pensado que estava maluco) e que teve a assinatura de Pierre Aubameyang, o Neymar do Gabão. E apenas 2 minutos depois o Neymar voltou a tocar na bola para assistir o seu colega para a reviravolta. O que se passou a seguir, foi lindo de ver. Um estádio completamente lotado com toda a gente a saltar, uma festa digna da vitória num Mundial com direito a quase invasão de campo, com os adeptos a fazer a festa na pista de atletismo em volta do relvado. Os marroquinos acordaram e, ao pressionar, ganharam um penalty dramático já em cima dos 90'... A sério, até eu me revoltei contra o sofá. Fique claro que não tenho família no Gabão e nem sei exactamente onde fica o país no mapa continental mas vi-me envolvido de tal maneira no encontro que desesperei com o golo de Marrocos. Não mereciam e eu não gosto de injustiças. Porém, num jogo de fortes emoções (o maldito karma é tramado) o melhor ainda estava para vir. Estupidez de um defesa marroquino e um livre à entrada da área, descaído para a esquerda da forma como atacavam os homens da casa. Tinha que dar golo. Os "Panteras Negras" tinham que vencer e o livre era o último lance da partida, a última oportunidade, o último suspiro. Tensão, desespero, muita fé. Chamado a bater, Ecuele Manga, defesa natural da capital Libreville (local onde se disputou o jogo), jogador do Lorient. Pensei para mim "Cum caneco! Última hipótese para marcar e chamam um defesa para bater um livre?". E pronto, pé na bola, silêncio no estádio, a bola passou a barreira, dirigiu-se para a baliza, o guarda-redes marroquino saltou tarde demais, GOLO. Mesmo na gaveta, toma lá para não pensares que os defesas não sabem bater livres! Saltaram os gabonenses, os jogadores correram que nem loucos, no camarote presidencial não havia fato que separasse o Presidente dos restantes espectadores, na sala saltei eu, saltou o meu amigo e só não saltou a gata (que também estava a ver o jogo com bastante atenção mas, pela sua reacção, devia estar a torcer pelos marroquinos). A loucura, só faltou fogo-de-artifício. A seguir, o sujeito do apito fez questão de mandar os marroquinos para o balneário, sim porque os heróis da noite continuaram a fazer a festa até terminar a transmissão.
São momentos destes que me fazem gostar tanto de desporto. Vamos simbora Gabão!

MF