Em Portugal o desemprego cresce de dia para dia. No final do mês passado foi atingido um número recorde com 15% dos portugueses inscritos na segurança social a reclamar por subsídio de desemprego.
Desse valor, cerca de 217 mil pessoas estão abaixo dos 34 anos, um valor bastante considerável se tivermos em conta que esta é uma faixa etária com mais formação do que as anteriores. Seria de esperar que uma geração tão jovem, com formação superior e sem grandes perspectivas de futuro no nosso país estivesse descontente, receosa e deprimida em relação ao que podem esperar profissionalmente. O sintoma de depressão associa-se muito facilmente a pessoas que vivem em países com graves crises económicas que têm de enfrentar o desemprego e a falta de possibilidades para fazer face às suas despesas. Um exemplo deste estado depressivo associado ao desemprego é o que se tem passado recentemente na Grécia, pois várias pessoas recorreram já ao suicídio para combater a depressão provocada pela falta de emprego.
Contudo, Portugal contraria todas as expectativas e esta geração mais jovem não se mostra deprimida perante a difícil situação que tem de enfrentar. Uma sociedade em que todos os adultos activos tenham emprego garantido no mercado de trabalho é já irreal e os jovens são cada vez mais realistas e sabem o que enfrentam quando acabam os cursos superiores. Cada vez há menos oportunidades, e as pessoas estão conscientes disso mesmo. E em vez de estados depressivos, os portugueses demonstram um espírito lutador e de quem quer lutar contra o desemprego e contra a crise. Os portugueses viram-se obrigados a terem de se destacar para serem diferentes e para conseguirem arranjar trabalho, o que originou pessoas mais criativas, flexíveis, e que não estão apenas focadas numa área.
Os portugueses evoluíram, cresceram e adaptaram-se, e com todas as dificuldades que esta geração jovem tem de enfrentar criámos pessoas com excesso de formação, criativas e com vontade de provar que merecem estar activas profissionalmente. É pena que não tenhamos empresas em Portugal prontas para investir nesta geração, porque o mais certo é perdermos para o estrangeiro excelentes profissionais que poderiam ajudar o nosso país a recuperar.
Por: NS
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