sexta-feira, 30 de março de 2012

Adeus universidade, Olá mercado de trabalho


Toda a gente sabe como o mercado para os recém-licenciados está nesta em Portugal, e por isso, posso dizer que chegar aos 22 anos e estar numa empresa que tem tudo a ver comigo não podia ser melhor.

E com o que vou dizer a seguir toda a gente me vai querer crucificar… mas é verdade é que eu tenho 22 anos (quase 23 vá…) o que significa uma coisa muito simples: todos os dias tenho de provar o meu valor, e todos os dias quando chego a casa do escritório estou estoirada e só me apetece atirar-me para cima da cama e ficar lá até ao dia seguinte. Ou seja, não tenho a vida que todos os jovens de 22 anos têm. O dia é variado entre casa e escritório, chegar a casa fazer jantar e almoço para o dia seguinte, e quando isto tudo acaba já estou cheia de sono outra vez. Há um ano andava na universidade, sem horários, sem muitas responsabilidades, acordava às horas que me apetecia, ir sair à noite durante a semana. Mas mais uma vez se prova que os portugueses nunca estão satisfeitos.

Agora aprendi a ser responsável, e sinceramente não tenho saudades da vida que tive antes nem me arrependo das escolhas que fiz, mas ficamos sempre a pensar que aquele mundo que tínhamos acabou. E agora chega a Semana Académica, vamos dois ou três e apercebemo-nos que realmente já não pertencemos ali, e que tudo o que nos acontece tem o seu momento próprio e que cada período da nossa vida deve ser aproveitado ao máximo. Aproveitei a universidade, mas não me imagino continuar a fazer vida de universitário depois de tudo acabar.

Às coisas são para ser vividas no momento certo e com as pessoas certas, e essas continuam sempre lá e quando lá voltar os dois ou três dias sei que as vou reencontrar, e que vamos voltar a ter a mesma cumplicidade que tínhamos há um ano, mas os momentos nunca voltarão a ser os mesmos.

Por: NS

quarta-feira, 21 de março de 2012

Hoje venci o 36!


Esta terça-feira vai ficar para a história como o dia em que venci o 36! Espectacular, não acham? Eu, com 75kg e muito em baixo de forma, venci o 36! A sério! Para aqueles que não estão habituados à vida rotineira da grande capital, 36 é uma das carreiras da rede Carris, e eu, meus amigos, fui mais rápido que uma carreira da Carris, por duas vezes!!!

Tudo começou quando me pediram para dar um saltinho a um local para os lados de Campo Grande. Acedi e preparei-me para o que, pensava eu, seria uma viagem calma. Contudo, mal pus os pés na rua, o meu olhar de falcão avistou a carreira, junto à paragem e com o pisca ligado a indicar que estava de partida. Corajosamente, não me deixei desanimar e lancei as pernas ao vento, desviando-me de velhotas e buracos de calçada. Num ápice colei-me à porta mesmo antes de o motorista a fechar. “Toma lá Carris, levei a melhor e nem tive de suar!”. Mais tarde percebi que só me tinha safado por causa dos “picas”. Estavam a autuar uma senhora e entre desculpas e falinhas mansas a porta manteve-se escancarada à minha espera. Não me importei, o meu ego falou mais alto e o mérito era meu. Por momentos recordei os tempos em que vestia calções de licra e calçava ténis de bicos, é verdade, já fui um atleta, dos fraquinhos. Lá segui a viagem, com um sorriso de vencedor nos beiços. 

Fiz o que tinha a fazer e preparava-me para regressar quando, já à luz do dia, o meu olhar de águia real voltou a avistar... o 36! Ajeitei o casaco e, muito elegantemente, sim eu tenho um correr bastante elegante, parti em nova corrida contra o tempo. Saltei na frente de um táxi, pulei um muro(que confesso ter sido apenas para o estilo pois um metro ao lado já não havia muro mas porra, era a minha tarde de glória), e rapidamente me pus junto à paragem. Por maldição dos céus, não cheguei a tempo. Se desisti? Esta era a minha tarde de glória, eu ia vencer novamente! Mirei o horário num instante, a próxima paragem era perto e existia a possibilidade de a carreira parar nuns semáforos. Vi uma chance, uma hipótese, uma luz ao fundo do túnel, não baixei os braços e fui acelerando até não poder mais. O semáforo estava verde mas o cruzamento estava impedido. “Força, eu consigo!”, gritei silenciosamente para as minhas pernas e esgueirei-me por entre o trânsito. A carreira arrancou e voltou a colocar-se na frente, respirei fundo e meti a quarta velocidade, já tinha meio pulmão de fora e a visão começava a ficar turva, tão turva que quase não vi um dejecto canino, juro que parecia um lince a desviar-me de tal obstáculo. Finalmente vislumbrei a paragem, qual oásis, com direito a água potável, um coqueiro, dois camelos e uma marroquina na dança do ventre. Num último fôlego alcancei o malandro, ali prontinho para discutir a vitória no video finish. Ironia do destino, estava uma fila enorme à espera e ainda demorou até chegar a minha vez. Mas o que importava era a minha corrida triunfal, o suor, a respiração ofegante, o sorriso confiante, e até galã, nos beiços. Já não fazia 600 metros àquela velocidade desde a puberdade.

Hoje deito-me descansado. Um campeão. Poucos podem dizer que venceram a Carris duas vezes num só dia, pois eu, faço parte dessa pequena percentagem, dessa elite. Deixem-me só colocar uma música de Queen aleatoriamente, pode ser “We are the Champions”, e vou fazer ó-ó que bem mereço.

MF

domingo, 18 de março de 2012

Parabéns SuperMan-torras


Entre os muitos aniversariantes do dia de hoje, eu destaco um, Pedro Manuel Torres.
Pedro Manuel Torres, nome de guerra: Mantorras. Idade: 30 anos e olhar de menino, daquele menino que um dia disseram que ia ser um dos melhores avançados do Mundo. Lembro-me de o ter visto jogar uma única vez, em 2005 contra o Estoril no Estádio do Algarve. Já na altura o ex-camisola 9 do Benfica estava em eterna recuperação da lesão que lhe roubou uma carreira de sonho. Mantorras entrou em campo e os cerca de 30 mil espectadores levantaram-se para aplaudir o menino pobre que sonhava jogar à bola. Arrepiei-me quando ele entrou, apesar de já nem me lembrar de quem saiu ou a que minuto tal aconteceu. Mantorras entrou em campo sob uma enorme salva de palmas e foi perante esse mesmo público que tentou fazer o gosto ao pé, sem eficácia nessa partida. Numa das suas fintas, o avançado pareceu lesionar-se, vi Mantorras rodar sobre a bola e cair sobre a perna, tremi, o defesa do Estoril ficou estático, o público calou-se, mas o Pedro recuperou a postura e voltou a encarar o defesa. Falso alarme.

Esteve no Barcelona e, na altura, Mourinho apontou-o como uma certeza de futuro craque, veio para Portugal e brilhou no Alverca chegando ao Benfica com 19 anos! Uma malograda lesão retirou-lhe o futuro mas nunca lhe retirou o brilho no olhar, a alegria com que vestia a camisola do Benfica, o sorriso com que contemplava os adeptos, a felicidade com que entrava em campo e o gosto com que marcava e festejava junto aos benfiquistas.

No ano em que o Benfica mais precisava de ser campeão, época 2004/2005, Mantorras foi o herói dos golos tardios, dos pontos úteis que deram a vitória no final. Não tenho quaisquer dúvidas, em relação tempo jogado - importância para o título, Pedro Mantorras foi o melhor jogador do campeonato. Era rápido com e sem bola, aparecia no limite do fora-de-jogo, tinha frieza na altura de encarar o guarda-redes, rematava sem aviso prévio e sem pedir licença, passava a bola, defendia, corria atrás da redondinha como se fosse um miúdo, aliás, era um miúdo com fome de bola e um dos maiores talentos que África viu nascer. Paíto, ex-defesa-esquerdo do Sporting ainda se deve lembrar da última vez que defrontou o Pedro. Sempre que o angolano descaía para a lateral de Paíto algo de mágico acontecia, Paíto não deve ter esquecido as inúmeras fintas e um último túnel de Mantorras, eu não esqueci.

Lesionou-se muito cedo, cortaram-lhe as esperanças e os sonhos, porém, continuou a querer jogar futebol. Sempre que foi chamado, correspondeu com entrega e golos. Continuou a treinar, foi operado diversas vezes e voltou a calçar as chuteiras numa esperança apagada de vir a ser o jogador que todos os benfiquistas sabiam que ele iria ser, o próximo Eusébio.


Merecia ter jogado um segundo que fosse nas últimas épocas, merecia um lugar de honra no Benfica, merecia uma estátua ao lado do Eusébio, merecia um joelho novo e uma nova oportunidade. Por tudo o que fez em tão pouco tempo tenho pena de não ter visto o Mantorras nos palcos que lhe estavam destinados. Durante todo este tempo no Benfica nunca baixou a cabeça. Não saiu pela porta da frente nem pela porta do fundo, saiu pela porta lateral, contudo, merecia um último jogo, uma última coroação, um último troféu. Deu às águias o título mais importante das últimas décadas e a sua alegria contagiante fez sorrir até nos momentos mais complicados da história do clube.

Parabéns pelos bons momentos de futebol que deste ao futebol português, parabéns por teres voado alto, parabéns por teres mantido a humildade em campo, parabéns pelo jogador que foste, parabéns Pedro Manuel Torres, parabéns Mantorras!


Texto por MF, adaptado de um antigo texto escrito em 2010, quando foi anunciado que o futuro de Mantorras como jogador do Benfica, tinha terminado.

quinta-feira, 15 de março de 2012

A minha vida dava um videojogo

"Amanhã faço anos, são tantos que já mal consigo, ou talvez não queira, contá-los. O ano... 2032, ainda ontem era 2011. Saudosamente lembro-me de como tudo começou, o caminho que percorri, as muitas alegrias e as tristezas amargas. Voei baixo, fui palmilhando os degraus, à minha vontade, sem pressões. Escolhi a minha carreira e nela fui um conquistador! Mas uma coisa mantive durante estes anos todos, algo que me fez continuar a olhar para cima e para a frente, nunca perdi o gosto por ganhar, vencer, triunfar, ir mais longe. Posso dizer que ganhei muito porém, isso pouco me importa, ainda há tanto para ganhar e tantos espaços desconhecidos e sítios onde nunca fui e pessoas que nunca conheci. Gosto de olhar para trás, afinal de contas, o caminho por nós percorrido é que nos ajuda a perceber quem somos. O passado e a saudade servem de motivação, não me deixam esquecer o que vivi, as decisões que tomei e as suas consequências.
Iniciei o meu percurso em 2011, há 21 anos, sensivelmente a idade que eu tinha na altura. Comecei por baixo, numa segunda linha mas provei que o meu lugar era lá no topo, junto dos mais capazes, dos mais lutadores, dos mais fortes, dos vencedores. A minha escada ainda tinha muito degrau pela frente, muita escolha, muito desvio, muita passada em falso e muitos patamares para alcançar. Fui subindo, fui saltitando, troquei de empresa mas continuei a levar a melhor sobre a concorrência, a escolher os melhores colaboradores e a construir boas equipas de trabalho. Nunca casei, é uma verdade, nunca tive filhos, não vou a restaurantes, não saio à noite, só faço viagens em serviço, ninguém me conhece vida social e há quem diga que só penso e vivo para o trabalho. Mas no trabalho, sou dos melhores do mundo! Tive as melhores empresas atrás de mim, fui um sucesso nos meios de comunicação, trabalhei com os melhores nas suas funções, conquistei os troféus e as distinções com que todos sonham. O meu nome é Tiago Marquês Francisco, tenho 43 anos, vivo em Stoke on Trent, e sou treinador de futebol."
E esta é a minha vida... made in Football Manager 2011.


Gosto de jogar videojogos, principalmente aqueles que não me ocupem demasiado tempo, gosto de ir jogando, gosto daqueles jogos que me permitem ficar uns tempos sem jogar e não perder a atitude ou momento. Também gosto de futebol, gosto de gestão, gosto da ideia de ser um treinador e gestor de pessoas (mesmo que virtuais). Resultado = muitas horas em frente ao computador a decidir a vida de letras e algoritmos que, na minha cabeça, são jogadores de futebol com sentimentos de ser humano. É um vício saudável, acho eu. Noutros dias já fui um street racer ou um caçador de troféus ou um gangsta ou um extraterrestre louco. Posso ser o que quiser, bom ou mau, grande ou pequeno, bonito ou feio, bem sucedido ou um fardo para a sociedade, sou eu que escolho e decido e sou dono e senhor de mim e do mundo que me rodeia e se algo não me agradar basta carregar num botão e volta tudo ao início. No meu mundo virtual, ai de quem se atreva a desafiar-me, sou eu quem manda!


MF

quarta-feira, 7 de março de 2012

A língua do Camões está jogada aos estrangeirismos


Inicio esta exposição de ideias vulgarmente tratada por texto a lançar uma “padrada” à “língua de Camões”. E numa só frase me perco em ideias perdidas à toa neste pedaço de corpo a que eu chamo cabeça. Porquê chamar “língua de Camões” ao português? Porquê lançar uma “padrada” quando a palavra correcta seria pedrada e mesmo assim já cheira a calão? Porquê falar em texto e não em “post”? E porquê o uso de “aspas” ? E porquê a repetição do porquê? E mais um ponto de interrogação e mais um “e”... porra! Exclamo contra mim, e que raio quero dizer com isto? E pronto, outro “e”, mais “aspas” e outra interrogação...

Que é um “post”? Não vou mentir e fingir-me santo, também eu cedo aos estrangeirismos várias vezes ao dia, também sei hablar e speakar e até sprechar noutras línguas, desenrasco-me razoavelmente bem e não escuso puxar aos estrangeirismos para me fazer compreender. Porém, eu, português orgulhoso em ser algarvio, não falo a língua de Camões. Falo inglês, dou uns toques no alemão e pontapeio um pouco de portunhol mas não falo a língua de Camões. A língua de Luís Vaz está morta há alguns séculos. Aliás, arrisco-me a dizer que a língua de Camões é um estrangeirismo. Admito que, por esta altura, já me tenham chamado de idiota, aceito e contesto, tenho esse direito e pretendo usá-lo. Então não é que a língua de Camões está para o português como a língua de Cervantes está para o castelhano ou a língua de Shakespeare para o inglês ou a língua de Dante para o italiano? Alguém começou e os restantes adaptaram à sua realidade partindo do mesmo pressuposto. Para mim, enquanto a liberdade de expressão me permitir, isto é uma espécie prima de estrangeirismo.

Vivemos numa pequena aldeia global onde a nossa língua continua a ser falada na Europa, em África, na América do Sul e lá para o Oriente. Utilizam-se expressões próprias, mais “facto” menos “fato”, mas ainda existe uma pontinha a Luís Vaz um pouco por todo o lado. Há dias li um texto de uma pessoa séria num meio nacional que dizia ser estúpido o português ter um acordo ortográfico único quando o inglês ou o espanhol tinham dezenas de variantes. Realmente é estúpido. Já os estrangeirismos são mais que muitos e é quase impossível passar um dia sem recorrer a eles. Eu só tomei consciência que estava a ser engolido pelos estrangeirismos quando deixei de rir e comecei a dizer “LOL” quando achava graça a alguma coisa. Que idiotice. “Venham de lá os hahaha e os hehehe, devolvam-me as onomatopeias”, disse para mim. Desde então, voltei a rir normalmente. Até irrita contar uma piada e ouvir um “LOL” invés de uma valente gargalhada.

Nesta aldeia global a língua de Queirós está a ser tomada de assalto pelos estrangeirismos. Não é mau, muito pelo contrário. Essas palavras que vamos buscar a outros dialectos aproximam-nos do resto do mundo. Que faríamos nós sem conhecer os estrangeirismos? Voltando ao acordo ortográfico, não é um avanço mas sim um retrocesso de um povo mesquinho e picuinhas. Em vez de acordo ortográfico mais valia acrescentar meia dúzia de estrangeirismos ao dicionário e ficava ok.

"Padrada" atirada por MF

segunda-feira, 5 de março de 2012

Uma geração com uma educação internacional, mas que se recusa a emigrar


Fazemos parte de uma geração que foi educada pelas novas tecnologias. Desde cedo que nos sentimos presos ao mundo da televisão, da internet, “conhecemos” Nova Iorque sem nunca lá ter estado, aprendemos mais história com filmes e séries do que na escola, identificamos muitas das obras que estão no Louvre sem nunca as termos visto. Vivemos numa sociedade global, em que não é difícil conhecer uma cidade ou um país, basta ter acesso à internet. Somos cidadãos do mundo, e a curiosidade de apreendermos outras culturas está-nos intrínseca, fomos educados assim. Cerca de 20% da nossa geração já viveu fora do país, seja em regime de erasmus ou programas de verão para aprender uma determinada linguagem ou fazer algum curso.

Seria de esperar que fôssemos uma geração preparada e pronta para emigrar. Quando toda a gente em Portugal nos diz que a melhor opção de futuro é a emigração, são muito poucos os que realmente consideram esta ideia. Entrámos na universidade numa altura em que a situação económica não estava má, estudámos e investimos no nosso país, preparamo-nos para fazer futuro cá, e agora dizem-nos para abandonarmos todo o investimento que fizemos, para abandonarmos a nossa família, a maioria dos portugueses não está preparada para sair do país sem perspectivas de regresso. Se nos dissessem que daqui dois anos estaríamos de volta, e que a situação iria estar melhor, não duvido que muitos jovens não se importassem, mas afinal os portugueses até amam o seu país, ao contrário do que se diz por aí.

Os estudantes portugueses são superiores em muitos países, e se qualquer português com uma licenciatura decidisse emigrar para a América do Sul, o mais certo era encontrar um bom emprego com um salário muito superior ao que receberia por cá, mas continuamos a preferir manter as nossas raízes. Para muitos será uma situação de comodidade, eu não penso desta maneira. Os portugueses nunca na sua história foram um povo cómodo, por muitas vezes fomos à aventura, mas acho que agora não é o momento ideal para o fazermos. Portugal precisa dos seus jovens, de sabedoria e conhecimento, Portugal precisa de ideias inovadoras e novas áreas de investimento, podemos não encontrar emprego na área que desejamos, mas podemos gerar riqueza no nosso país em outras áreas. 


Por: NS

sábado, 3 de março de 2012

NS - Joana Neves de Sousa

Nome: Joana Neves de Sousa
Assina: NS


Com uma infância dividida entre Cascais, Oeiras e Portimão, o bichinho ficou cá dentro e quando foi hora de escolher a Universidade certa, o Algarve voltou ao meu caminho. Passados três anos e uma licenciatura em Ciências da Comunicação tinha a certeza da área que queria seguir: comunicação empresarial. Se no início não sabia se queria seguir uma carreira em eventos ou em assessoria de imprensa, agora sei que encontrei o certo, o equilíbrio. Enervo-me facilmente com o que se passa à minha volta, mas principalmente com a falta de maturidade dos portugueses e com as pessoas que se queixam e não tentam melhorar as suas vidas. Não temos muitas oportunidades de fazer o que realmente queremos e gostamos, mas se nunca lutarmos para o atingir, é certo que nunca vamos conseguir. Com 22 anos tenho um trabalho na minha área e faço o que gosto, posso considerar-me uma privilegiada, mas também uma lutadora. Recusei-me a baixar os braços e a aceitar o primeiro estágio, todos os dias mostro que tenho capacidades para mais e que quero mais. Não me contento com menos do que mereço e nunca hei-de contentar, porque os meus sonhos são mais altos do que isso.

DS - Filipe Pardal

Nome: Filipe Pardal
Assina: DS


São vinte e um anos a arrostar uma escada, passo a passo… medo a medo. No Alentejo, no Algarve e agora na capital Portuguesa. Até que tropeço uma e outra vez no ego, sem ter de ser no meu, o de alguém, seja em que região for. Ao cair vou na direção de uma teia que o ódio embutiu novamente no meu trilho, uma história comum a todos – resisto! – Mais uma vez embato na tenacidade que julgava perdida, que dá tanto trabalho a polir. Toda a gente me vê, mas não é nada fácil manter-me nas luzes da ribalta, esperando pela execução de olhos sedentos de inimizade, aquela que Voltaire disse que era boa. Eu não quero o que eles querem, eu não sinto o que eles sentem, estou encalhado em mim e é a ti que pertenço… É tão fácil ser mágico e tão difícil ser eu…

FM - Mafalda Ferreira

Nome: Mafalda Ferreira
Assina: FM


Gosto de inventar e não o sei fazer. Contento-me bastante com palavras. E, talvez por isso, esteja a escrever uma mini-biografia e não a cantar ou desenhar.
Gosto de pôr o Mundo em fragmentos de frases e combiná-los de uma forma irracional.
Nasci há vinte e um anos, em dias amenos, em pleno Alentejo, e não costumo ter um humor certo. Não gosto de frio nem de calor, não gosto do silêncio nem do barulho.
Orgulho de já ter deixado um testemunho da minha passagem pela Terra e de continuar a trabalhar para crescer na área da escrita.
A poesia é a minha companhia. Sou um pouco complicada mas ela sempre volta atrás para me abraçar, depois de uma discussão.
Não gosto de rótulos, de ser estudante, trabalhador, desempregado ou um iluminado... Sou mais uma pessoa que passa pela Terra e percorre um processo de crescimento e auto-conhecimento.
Faço parte deste projecto para partilhar convosco o meu pensamento e mostrar que juntos damos mais força à palavra.

MF - Tiago Marquês Francisco


Nome: Tiago Marquês Francisco
Assina: MF

Bebé e criança em Aljezur, adolescente em Lagos, universitário em Faro, empregado em Lisboa. Por cá desde 1989. Tenho três grandes paixões: desporto, comunicação e humor. Como não tenho jeito para nenhuma, estou a moldar o meu trilho no sentido de juntar as três e singrar na vida. Até agora sem sucesso.
Sou um português orgulhoso em ser algarvio. Eterno revoltado porém, cobarde. Reclamão, pessimista, teimoso, curioso, ambicioso. Sou daquele tipo irritante que, ou se gosta, ou se odeia. E se a leitora ainda não me odeia, não receie ficar apaixonada, tenho boa aparência e uns trocados no banco. Não tenho uma frase inteligente para terminar pois eu e a inspiração estamos numa “relação complicada”. Deixo três concelhos: caminha connosco neste blog, derruba paredes e juntos venceremos a batalha dos textos rotineiros e paupérrimos. 

Sem medo de represálias - Não gosto dos Oscares


Não sou cinéfilo. Raramente concordo com os críticos. Não gosto de filmes que antes de estrear já são candidatos aos Óscaros. Nunca vi o E.T. e não chorei a ver o Toy Story 3. O meu filme preferido é Ice Age. E ai daquele que fale mal do Scrat, que eu parto logo para a violência. Adoro filmes de animação e comédias e violência gratuita e estórias enleadas e finais inesperados. Não sou cinéfilo e acrescento ainda, não percebo grande coisa de cinema. Por isso, não vou falar dos Oscares. Alguém irá falar dos Oscares, dos vestidos das raparigas, dos discursos emotivos, das pindéricas que não se arranjaram o suficiente para a cerimónia, das ressabiadas que não apareceram porque já estavam à espera de não ganhar a estatueta. Os críticos de moda falam das bem vestidas e humilham com palavras de desprezo aquelas que não souberam vestir Prada ou Dolce Gabbana. Ninguém liga aos cavalheiros, qualquer camisa e casaco passa por vestimenta apropriada, já as mulheres passam de senhoras a rebeldes num centímetro de cabelo ou de elegantes a pindéricas num centímetro de vestido. O homem está sempre bem. Menos bem ou mais bem, mas bem. Os críticos de cinema falam dos vencedores, dos quais já tinham falado seiscentas vezes mas que, porque venceram, são justos vencedores. Os críticos de televisão falam do apresentador e das suas piadas. Enfim, não ligo a isso, não perco o meu tempo a ver a cerimónia e passo à frente nessas folhas dos jornais. Não sou rebelde, simplesmente não gosto. É apenas uma estatueta cujo merecimento é decidido por seres humanos. No mundo democrático não existe vencedores justos porque até os eleitores são escolhidos pelo “sistema”.
Ora, tudo isto para falar sobre o detective que há em mim. Estava eu no outro dia a laborar quando ouvi um choque, uma pancada, um estrondo. Tentei conter-me, tentei não ligar. “Não se passa nada, não me vou levantar, vou lá ver, não vou nada, fico aqui, vou levantar-me, já não há nada para ver”, fui fraco e fui à janela ver o que se passava.
Situação: um veículo pesado de transporte de passageiros com a roda da frente no passeio e um veículo ligeiro de classe média-alta atravessado à sua frente.
Primeiro diagnóstico, qual detective inglês do século XIX com chapéu de côco na cabeça, gabardina comprida e cachimbo ao canto da boca: Dear Watson, o malandro do motorista abalroou o sujeito do veículo ligeiro um!
Chega a autoridade, um polícia que estava ali perto, e manda seguir o autocarro que afinal não tinha qualquer interferência na ocorrência.
Situação: três veículos ligeiros com danos. Veículo um – traseira amachucada; veículo dois – frente danificada; veículo três – chassis frontal todo partido, porta-bagagens para dentro e vidro traseiro espalhado pela estrada. Escusado será dizer qual era o carro mais pobre nesta brincadeira.
Segundo diagnóstico, com chapéu de côco na cabeça, cachimbo na mão esquerda e indicador direito a apontar na direcção do culpado: o sujeito do veículo dois embateu no veículo três que foi projectado contra o veículo um e acabou num reboque barato.
Tudo normal, os bombeiros limparam os vidros, a situação ficou resolvida com a chegada de mais dois carros da autoridade, o trânsito voltou a circular e eu tive de voltar ao meu posto. Contudo, voltei a sentar-me com sentimento de dever cumprido. Eu solucionei o caso, que talvez nunca tenha chegado a existir. 
“Dear Watson, another case solved. Two pints. You pay.”.

MF