terça-feira, 17 de abril de 2012

Ganhar é viciante

Há algum tempo que me dedico às artes obscuras que roçam a ilegalidade. Não por culpa minha, a culpa é inteiramente da Universidade! Sim, a Universidade, aquela pela qual paguei e me atirou para o desemprego (de onde entretanto já fui resgatado), me atirou para o poker e para as apostas online! Eu era um bom rapaz quando entrei para esse antro de más influências e saí de lá viciado nesses "jogos de azar". Mas hoje, agradeço à Universidade por me ter atirado para esse mundo, "ganhei" 18 euros em menos de uma semana!

Por instantes pode parecer parva a minha felicidade momentânea, contudo, para mim (que ainda sou o principal visado nesta história e o sujeito que na realidade ganhou), estes 18 euros significam muito mais que 180 cêntimos. Há uma semana tinha 13 euros na conta e hoje, meus amigos, tenho 31! E só lá meti 20, pelo que 11 já são de lucro. Assim até gosto de matemática e de economia, a isto chama-se lucro, sucesso, luxo! São 11 euros (que até posso vir a perder numa aposta futura) que dizem claramente: "este rapaz percebe disto e fez um brilharete em adivinhar resultados". Fazendo jus à minha nova (velha) paixão, a matemática, daqui a um ano terei mais de meio milhão de cêntimos na minha conta! A riqueza espera-me, nunca mais vou trabalhar na vida. Salvo seja, pois segundo aquilo que me venderam como um ditado budista, "Descobre algo que gostas de fazer e nunca mais trabalharás na vida". É isso que eu quero, uma casa, com sala de jogos, com uma biblioteca, com um estúdio, com uma piscina, com um relvado, com uma garagem, com um Audi na garagem, com um descapotável ao lado do Audi, com um Fiat Seicento ao lado do descapotável para a esposa conduzir, uma loira escultural. Pois, meus amigos, invejem-me pois eu, vou ter isso tudo graças a estas apostas online! Até consigo prever o futuro, nem preciso de me esforçar para ganhar dinheiro, basta um clique, um suave deslizar pelo rato, um bocejar atirado ao ecrã e assisto ao vivo ao milagre da multiplicação.

No entanto, não me considero viciado no jogo. Sinto, somente, que estou a ficar viciado no prazer de ganhar. Sempre gostei disso, ganhar, vencer, triunfar, ser o melhor, chegar primeiro, subir ao topo mais alto. Nunca encaro um desafio sem a vontade de querer a vitória. Participar é bonito, oiço desde pequenino, e desde pequenino que respondo tortamente a quem me tenta incutir fair-play ou "desportivismo". Isso é para os derrotados! 

Já dizia o MF (versão gaiato) e com ele me despeço, radiante por saber que em breve serei rico:
- Participar é bonito... mas ganhar é muito mais bonito e quanto mais difícil a vitória, melhor sabe.
- Tenho mau perder? É sinal que quero sempre ganhar. Nunca me hei-de habituar a perder.
- A diferença no "foi por pouco" reside nos objectivos definidos. "Queria ganhar mas... foi por pouco" é diferente de "queria ficar a meio da tabela mas... foi por pouco".

MF

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