Por MF
“Estar vivo é o contrário de estar
morto”, disse Lili Caneças, e eu acrescento, “e vice-versa”!
Para ficarmos entendidos! Lili Caneças... há quem goste, há quem
não goste, há quem respeite, há quem inveje, pois a mim, passa-me
ao lado. Se ela me vir na rua, duvido que me conheça, e vice-versa.
No entanto, o meu objectivo neste comentário vai muito para lá de
tal pessoa, prendo-me ao que ela disse, ao sentido das suas palavras,
à realidade gritante de tão sólida e dura afirmação. Tanta gente
se riu de tal argumento mas haverá algo mais válido que isto? É
que, a meu entender, estar vivo é, efectivamente, o contrário de
estar morto (e vice-versa, não vá o Diabo tecê-las). Excepto na
televisão por cabo mas aí nada é o que parece, e vice-versa.
Hoje lembrei-me da, talvez, mais famosa
frase proferida por esse ícone do Jet Quatr português e comecei a
pensar (algo que tenho a bondade de fazer cerca de duas vezes por
semana, para não esquecer de como se processa tal acção) no
sentido da vida. E na minha cabeça um turbilhão de ideias e
pensamentos. Ditos famosos daqueles que vemos no mural dos nossos
amigos que nunca leram um livro mas que encontram na internet e
colocam nas redes sociais para impressionar as raparigas. Reis e
imperadores que conquistaram tudo o que queriam, cientistas à
descoberta de um futuro melhor, filósofos que dedicaram a vida a
tentar perceber o que era isso de felicidade eterna. Como seria de
esperar, não cheguei a nenhuma conclusão, até porque ia na
carreira e o motorista acordou-me do meu sonho acordado com aquela
simpatia matinal, “Já chegamos ao fim da viagem”, que eu entendi
como “Puto, desaparece da minha vista que ainda tenho 15 minutos
para dormitar antes de me fazer novamente à estrada”.
Mal cheguei a casa meti a rodar um
disco dos Gipsy Kings, muito calmo e agradável de ouvir, e, sentado
no sofá com o meu cachimbo imaginário e um copo de whisky também
imaginário, com gelo, debrucei-me sobre a vida, sobre o que é a
vida, sobre o sentido da vida. Viver é vaguear por este mundo atrás
da felicidade. Viver é respirar. Viver é acordar todos os dias com
um propósito. Viver é ter objectivos a alcançar. Viver é tudo e,
se a vida não for vivida, pode ser nada. Viver é lutar todos os
dias para ser feliz. E, atravessado por esses sentimentos, fui
aquecer o jantar, aproveitei para lavar a loiça e meti a rodar a
segunda temporada de A Guerra dos Tronos. Amanhã logo vivo, hoje não
me apetece, contudo, pela lógica infalível de Lili Caneças, e
partindo do pressuposto que não estou morto, irei adormecer com a
certeza de estar vivo.
Sem comentários:
Enviar um comentário