Vi agora as declarações de Oceano,
ex-capitão do Sporting e internacional português, à Rádio
Renascença. Para quem não ouviu ou leu, fica aqui,
a título de curiosidade. Pois bem, o que eu gravei desta entrevista
foi: “Não
é em seis meses que o Domingos deixa de ser bom treinador“.
E tem toda a razão, digo mais, concordo e apoio as palavras do
Oceano.
E o que é dito para Domingos também
serve, ou devia servir, para André Villas-Boas. Ora, no final da
época passada eu tinha deixado os meus elogios a Domingos Paciência
e a André Villas-Boas, na altura num outro blog. Tinha, aliás,
colocado os dois jovens treinadores no lote de melhores treinadores
portugueses, ao lado de Jorge Jesus e do mister Paulo Bento e um
pouco abaixo de José Mourinho. E aqui abro um parentêsis para pedir
perdão aos não mencionados (que me perdoem o professor Jesulado
Ferreira ou o estudioso Manuel Machado ou o “mestre” Ilídio Vale
ou até as revelações Leonardo Jardim, Rui Vitória e Rui Bento).
Contudo, os cinco portugueses que mais cartas dão no futebol, na
minha opinião, são eles. Pela postura, pela confiança, pela
irreverência, pelo que dizem, pelo que fazem, pela forma como o
fazem, são “especiais”, cada um à sua maneira mas todos
“especiais”.
Seguindo até Inglaterra antes de
voltar ao Domingos. André Villas-Boas perdeu, ontem, a oportunidade
de dar mostras do seu valor e do valor dos seus jogadores. O Chelsea
fez um grande jogo frente ao campeão inglês. Após o golo, tomaram
conta da partida e chegaram ao 3-0 sem grandes espigas. No momento do
3-0 o Mundo pôs os olhos em Villas-Boas. O “Special Two” estava
de volta, o Chelsea estava de volta, os 15 milhões no treinador e
até os 58 milhões pelo Fernando Torres começavam a fazer sentido
(não marcou mas assistiu e deu algum trabalho à defensiva do
United). Se o jogo tivesse acabado no momento do golo de David Luiz,
o treinador português seria de novo um dos melhores do Mundo. Porém,
não acabou e os reds
conseguiram chegar ao empate. Em noventa minutos Villas-Boas passou
de besta a bestial e voltou a besta. É aborrecido. Talvez o seu
maior erro tenha sido chegar a Terras de Sua Majestade e apontar
objectivos muito elevados. Eu continuo a ser adepto do “Special
Two”. Merece crédito por ter feito do FC Porto vencedor da Liga
Europa e campeão nacional sem derrotas. O FCP é sempre candidato ao
título e uma equipa com historial nas competições europeias? Sim.
Mas quantos ganharam 4 troféus na primeira época de um clube que no
ano anterior tinha apenas uma Taça de Portugal? Independentemente de
tudo, o rapaz teve um papel muito importante na época perfeita dos
dragões. E Vítor Pereira que o diga...
Agora
sim, Domingos, Paciência. O ex-avançado do FC Porto e ex-treinador
do SC Braga chegou ao Sporting qual D. Sebastião envolto em
nevoeiro, que pode até vir a ser o nevoeiro da Choupana caso vençam
na quarta o Nacional. E só posso dizer uma coisa, Domingos é um
grande treinador e está a fazer um trabalho impecável. Que venham
os saudosos pedir o regresso do Paulo Bento ou até do Boloni, o
melhor treinador que o Sporting pode pedir é o que já foi escolhido
por Godinho Lopes. Pequenos pormenores são rapidamente esquecidos,
como a limpeza de balneário ou a reformulação táctica. Domingos
renovou o Sporting e o certo é que Alvalade está com uma média de
espectadores muito elevada em relação às últimas épocas, e os
adeptos voltaram a gritar em Alvalade e a apoiar a equipa até ao
último minuto. O Sporting foi, durante cerca de dois meses, a equipa
a praticar melhor futebol em Portugal. Isso já poucos se lembram. O
que está fresquinho é o início do ano com apenas uma vitória e o
“caso” Bojinov. Depois de todas as piadas feitas em redor do nome
do treinador e dos lenços brancos em Alvalade, para mim o correcto
seria “Domingos, Paciência”, que se estiveres aí na próxima
época, teremos os leões a lutar pelo título porque encarar Benfica
e Porto nos olhos, já o fazem.
MF


Sem comentários:
Enviar um comentário