quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

E se te perguntassem uma cena diferente?


Hoje li esta bela notícia. E pretendo, seriamente, encontrar a revista para descobrir se saiu em tamanho alargado. O título é “Entrevista de emprego: as perguntas preferidas”.

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A situação do país, e do mundo, leva a que seja preciso ser diferente, em tudo. A palavra do dia é proactividade e a acção preferida é inovação. É o que as empresas pedem, enquanto chefes, enquanto clientes, enquanto empresas. O mercado de trabalho é exigente e os processos repetidos, as rotinas e as respostas feitas não conseguem singrar mais. É um facto, que não consigo apontar nenhum estudo que o comprove, contudo, tenho plena consciência do que estou a dizer e afirmo sem receios: Proactividade e Inovação são as palavras de ordem. Haja “cojones” para as gritar bem alto sem medo que a vizinha de cima chame a polícia! Quem se rege por manuais orientadores que nos dizem para fazer isto ou aquilo porque é o caminho, irão acabar por se dar mal. O leiteiro que todos os dias segue o mesmo percurso irá atrapalhar-se quando encontrar uma rua cortada, o operador de máquinas que está habituado à sua retroscavadora terá problemas quando tiver de utilizar uma mais nova e moderna, o jogador de futebol que faz sempre a mesma finta irá ficar sem soluções quando o adversário descrobir o seu movimento, o publicitário que segue sempre as mesmas linhas de pensamento terá problemas quando a mesma empresa lhe pedir outro trabalho que seja diferente, o padre que diz sempre o sermão da mesma forma irá perder fiéis à medida que eles vão decorando a missa. Nas várias profissões que referi, a falta de proactividade e inovação, criam problemas aos trabalhadores. Experimentem aplicar noutras profissões, noutras funções, noutras áreas. Garanto-vos, leitores bonitos, este raciocício é tão ou mais acertado que aquelas imagens virais das redes sociais que nos dizem que 11111 x 11111 = 123454321.

E com isto chego ao meu mundo: a comunicação. Ora, todos nós comunicamos. Olha, outro facto! Comunicamos com os nossos amigos, com os nossos colegas, com os nossos professores, com os nossos alunos, com os nossos patrões, com os nossos empregados, com o senhor do talho, com o taxista, com aquela rapariga gira com quem nos cruzamos no supermercado e nem chegamos a meter conversa, com o polícia que entretanto foi chamado pela vizinha de cima. Sobre o que comunicamos? Sobre tudo... e sobre nada. E esta teoria da relatividade é outro facto! Three in a row, I'm on fire! Big cojones my friends, very big cojones! Não vou analisar a comunicação verbal e não verbal pois faltei a essa aula de psicologia e prefiro não aprofundar algo que desconheço. Ora, um comunicador pode pensar que sabe comunicar ou que descobriu um método infalível, por muito que pense que essa fórmula é mágica, irá ter um desgosto quando descobrir que não é. Por várias razões, porém, eu aponto a que para mim é a mais óbvia: a audiência, a pessoa ou pessoas com quem comunicamos. Todas as pessoas são diferentes, excepto os homens que, para as mulheres, são todos iguais. E, como tal, é preciso comunicar de forma diferente. Um tom de voz, um olhar, um gesto, podem ser interpretados de forma diferente, variando consoante o comunicador e a audiência. Assim, lentamente, chego ao ponto principal deste parágrafo: para saber comunicar é preciso proactividade e inovação. No modo como interagimos com diferentes audiências e como alteramos o nosso discurso (comunicação verbal) e a nossa postura (comunicação não verbal) conforme as reacções da mesma. Também é preciso ter ambição, confiança e atitude mas isso ficará para mais tarde.

Já me ia esquecendo, entrevistas de emprego. Para dizer a verdade, apenas fui entrevistado cinco vezes. No entanto, as cinco entrevistas foram diferentes. Porque os trabalhos eram diferentes, porque as empresas eram diferentes, porque os entrevistadores eram diferentes. Já tinha ouvido muitas histórias de cenas maradas que podiam perguntar ou perguntas-padrão. Como eu sou teimoso e preguiçoso, nunca me preparei para as entrevistas, deixei-me levar pelo momento. Fazendo a retrospectiva, devo-me ter saído bem porque consegui 80% dos trabalhos. Na maioria das vezes fui confrontado com o procedimento padrão: falar sobre nós, sobre a nossa experiência e porque nos achamos capacitados para tal função. Tudo certo, é o suficiente para ficar a conhecer bem o perfil do entrevistado. Mas (há sempre um “mas”) sou a favor da proactividade e da inovação. Tenho curiosidade em saber como reagiria a perguntas como as que surgem no texto original que motivou o meu desabafo. Ou até outras perguntas mais estapafúrdias ou irrisórias. E vocês, como reagiriam à pergunta “Com que personalidade pública se identifica e porquê?”. Comigo, num segundo o meu pensamento iria viajar entre “não posso dizer um cromo qualquer” ou “não posso ser muito convencido” ou “que raio de pergunta?” ou “gostava de ser o Bill Gates pela conta bancária, o Brad Pitt pela aparência ou o Son Goku pelos super poderes”. E todas estas respostas, leitores bonitos, irão dizer algo sobre mim. A resposta correcta? Nenhuma. Que resposta podiam dar, no caso de ser eu o entrevistador? Uma que mostrasse proactividade e inovação.

MF

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