Hoje li esta bela notícia. E pretendo,
seriamente, encontrar a revista para descobrir se saiu em tamanho
alargado. O título é “Entrevista de emprego: as perguntas
preferidas”.
www.hrportugal.pt
A situação do país, e do mundo, leva
a que seja preciso ser diferente, em tudo. A palavra do dia é
proactividade e a acção preferida é inovação. É o que as
empresas pedem, enquanto chefes, enquanto clientes, enquanto
empresas. O mercado de trabalho é exigente e os processos repetidos,
as rotinas e as respostas feitas não conseguem singrar mais. É um
facto, que não consigo apontar nenhum estudo que o comprove,
contudo, tenho plena consciência do que estou a dizer e afirmo sem
receios: Proactividade e Inovação são as palavras de ordem. Haja
“cojones” para as gritar bem alto sem medo que a vizinha de cima
chame a polícia! Quem se rege por manuais orientadores que nos dizem
para fazer isto ou aquilo porque é o caminho, irão acabar por se
dar mal. O leiteiro que todos os dias segue o mesmo percurso irá
atrapalhar-se quando encontrar uma rua cortada, o operador de
máquinas que está habituado à sua retroscavadora terá problemas
quando tiver de utilizar uma mais nova e moderna, o jogador de
futebol que faz sempre a mesma finta irá ficar sem soluções quando
o adversário descrobir o seu movimento, o publicitário que segue
sempre as mesmas linhas de pensamento terá problemas quando a mesma
empresa lhe pedir outro trabalho que seja diferente, o padre que diz
sempre o sermão da mesma forma irá perder fiéis à medida que eles
vão decorando a missa. Nas várias profissões que referi, a falta
de proactividade e inovação, criam problemas aos trabalhadores.
Experimentem aplicar noutras profissões, noutras funções, noutras
áreas. Garanto-vos, leitores bonitos, este raciocício é tão ou
mais acertado que aquelas imagens virais das redes sociais que nos
dizem que 11111 x 11111 = 123454321.
E com isto chego ao meu mundo: a
comunicação. Ora, todos nós comunicamos. Olha, outro facto!
Comunicamos com os nossos amigos, com os nossos colegas, com os
nossos professores, com os nossos alunos, com os nossos patrões, com
os nossos empregados, com o senhor do talho, com o taxista, com
aquela rapariga gira com quem nos cruzamos no supermercado e nem
chegamos a meter conversa, com o polícia que entretanto foi chamado
pela vizinha de cima. Sobre o que comunicamos? Sobre tudo... e sobre
nada. E esta teoria da relatividade é outro facto! Three in a row,
I'm on fire! Big cojones my friends, very big cojones! Não vou
analisar a comunicação verbal e não verbal pois faltei a essa aula
de psicologia e prefiro não aprofundar algo que desconheço. Ora, um
comunicador pode pensar que sabe comunicar ou que descobriu um método
infalível, por muito que pense que essa fórmula é mágica, irá
ter um desgosto quando descobrir que não é. Por várias razões,
porém, eu aponto a que para mim é a mais óbvia: a audiência, a
pessoa ou pessoas com quem comunicamos. Todas as pessoas são
diferentes, excepto os homens que, para as mulheres, são todos
iguais. E, como tal, é preciso comunicar de forma diferente. Um tom
de voz, um olhar, um gesto, podem ser interpretados de forma
diferente, variando consoante o comunicador e a audiência. Assim,
lentamente, chego ao ponto principal deste parágrafo: para saber
comunicar é preciso proactividade e inovação. No modo como
interagimos com diferentes audiências e como alteramos o nosso
discurso (comunicação verbal) e a nossa postura (comunicação não
verbal) conforme as reacções da mesma. Também é preciso ter
ambição, confiança e atitude mas isso ficará para mais tarde.
Já me ia esquecendo, entrevistas de
emprego. Para dizer a verdade, apenas fui entrevistado cinco vezes.
No entanto, as cinco entrevistas foram diferentes. Porque os
trabalhos eram diferentes, porque as empresas eram diferentes, porque
os entrevistadores eram diferentes. Já tinha ouvido muitas histórias
de cenas maradas que podiam perguntar ou perguntas-padrão. Como eu
sou teimoso e preguiçoso, nunca me preparei para as entrevistas,
deixei-me levar pelo momento. Fazendo a retrospectiva, devo-me ter
saído bem porque consegui 80% dos trabalhos. Na maioria das vezes
fui confrontado com o procedimento padrão: falar sobre nós, sobre a
nossa experiência e porque nos achamos capacitados para tal função.
Tudo certo, é o suficiente para ficar a conhecer bem o perfil do
entrevistado. Mas (há sempre um “mas”) sou a favor da
proactividade e da inovação. Tenho curiosidade em saber como
reagiria a perguntas como as que surgem no texto original que motivou
o meu desabafo. Ou até outras perguntas mais estapafúrdias ou
irrisórias. E vocês, como reagiriam à pergunta “Com que
personalidade pública se identifica e porquê?”. Comigo, num
segundo o meu pensamento iria viajar entre “não posso dizer um
cromo qualquer” ou “não posso ser muito convencido” ou “que
raio de pergunta?” ou “gostava de ser o Bill Gates pela conta
bancária, o Brad Pitt pela aparência ou o Son Goku pelos super
poderes”. E todas estas respostas, leitores bonitos, irão dizer
algo sobre mim. A resposta correcta? Nenhuma. Que resposta podiam
dar, no caso de ser eu o entrevistador? Uma que mostrasse
proactividade e inovação.
MF

Sem comentários:
Enviar um comentário