A CAN2012 realiza-se no Gabão e na Guiné-Equatorial e ontem jogou o Gabão frente a Marrocos. A história do futebol africano apontava os marroquinos como favoritos, tal como os nomes na ficha de jogo, e do outro lado pesava o factor casa e a fraca exibição de Marrocos frente à Tunísia no jogo anterior. Pelo que, Marrocos a adiantar-se no marcador não foi das maiores surpresas da minha vida. Contudo, e cada vez tenho notado mais isto, há golos que fazem mal à equipa que os marca e dá forças a quem os sofre. Uma segunda parte com lances deliciosos, muita, mas mesmo muita, emoção e no final uma vitória merecida para quem mais lutou pelos 3 pontos. Independentemente das questões técnico-tácticas que os críticos de futebol e o Jorge Jesus tanto gostam de referir, é notória a qualidade e a vontade dos jogadores africanos. O Gabão, sem grandes estrelas ou história no futebol de selecções, deu uma lição de humildade, querer e garra aos "Leões do Atlas". Valeu a pena esperar pelo minuto 77 para assistir ao empate, num lance em que eu gritei golo antes do lateral efectuar o arremesso (para espanto de um amigo meu que deve ter pensado que estava maluco) e que teve a assinatura de Pierre Aubameyang, o Neymar do Gabão. E apenas 2 minutos depois o Neymar voltou a tocar na bola para assistir o seu colega para a reviravolta. O que se passou a seguir, foi lindo de ver. Um estádio completamente lotado com toda a gente a saltar, uma festa digna da vitória num Mundial com direito a quase invasão de campo, com os adeptos a fazer a festa na pista de atletismo em volta do relvado. Os marroquinos acordaram e, ao pressionar, ganharam um penalty dramático já em cima dos 90'... A sério, até eu me revoltei contra o sofá. Fique claro que não tenho família no Gabão e nem sei exactamente onde fica o país no mapa continental mas vi-me envolvido de tal maneira no encontro que desesperei com o golo de Marrocos. Não mereciam e eu não gosto de injustiças. Porém, num jogo de fortes emoções (o maldito karma é tramado) o melhor ainda estava para vir. Estupidez de um defesa marroquino e um livre à entrada da área, descaído para a esquerda da forma como atacavam os homens da casa. Tinha que dar golo. Os "Panteras Negras" tinham que vencer e o livre era o último lance da partida, a última oportunidade, o último suspiro. Tensão, desespero, muita fé. Chamado a bater, Ecuele Manga, defesa natural da capital Libreville (local onde se disputou o jogo), jogador do Lorient. Pensei para mim "Cum caneco! Última hipótese para marcar e chamam um defesa para bater um livre?". E pronto, pé na bola, silêncio no estádio, a bola passou a barreira, dirigiu-se para a baliza, o guarda-redes marroquino saltou tarde demais, GOLO. Mesmo na gaveta, toma lá para não pensares que os defesas não sabem bater livres! Saltaram os gabonenses, os jogadores correram que nem loucos, no camarote presidencial não havia fato que separasse o Presidente dos restantes espectadores, na sala saltei eu, saltou o meu amigo e só não saltou a gata (que também estava a ver o jogo com bastante atenção mas, pela sua reacção, devia estar a torcer pelos marroquinos). A loucura, só faltou fogo-de-artifício. A seguir, o sujeito do apito fez questão de mandar os marroquinos para o balneário, sim porque os heróis da noite continuaram a fazer a festa até terminar a transmissão.
São momentos destes que me fazem gostar tanto de desporto. Vamos simbora Gabão!
MF

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